quinta-feira, 29 de maio de 2008

artigos.

Uma reflexão sobre a geografia urbana em escala local


No começo do segundo semestre de 2007, orientado pelo corpo docente das Faculdades Integradas de Ciências Humanas, Saúde e Educação de Guarulhos, iniciei uma pesquisa sobre a evolução urbana do Picanço. Bairro que me acolheu ainda recém nascido. Urbanização é um tema que me atrai desde há muito tempo, me lembro do meu avô contando histórias sobre suas andanças pelo interior do Brasil, o que de certo me fez ser apaixonado por Geografia.
Além do mais, nos dias de hoje 81% da população brasileira reside nas zonas urbanas, o que torna suas desigualdades mais perceptíveis. Seja econômica, social, política, cultural ou etc.
Nosso índice de urbanização já é igual ao índice de urbanização de paises industrializados, considerando que por aqui esse processo se deu com um século de diferença. É certo que a metodologia adotada pelo IBGE para definir o que é um espaço urbano, difere da metodologia adotada por outros países, contudo, de fato somos um país urbanizado.
No nosso cotidiano de cidadão guarulhense, ouve-se falar muito em “Cidade Industrial” e em “Aeroporto Internacional”, relegando aos diversos bairros uma situação de menor importância. O Bairro é antes de tudo, o espaço das relações, “lugar onde a vida acontece”, fazendo das palavras do grande geógrafo Milton Santos, as minhas. Devemos lançar um olhar mais atento para os bairros e desconfiar de tudo que pareça ser apenas um cenário de rotina.
Essa pesquisa, dentre outras surpresas, possibilitou algumas reflexões. O transito de carros e pessoas, é conseqüência do que? Por que as ruas que antes eram também espaços de lazer, hoje tem como única função servir de passagem de carros, ou de ligação entre locais?
A conclusão surgiu ao analisar o excesso de verticalização. No Picanço ainda se encontram chácaras que marcaram um período da evolução urbana de Guarulhos, no entanto, esses espaços estão rapidamente sendo ocupados por prédios. Os terrenos que antes comportavam uma família, hoje comportam dezenas e às vezes até centenas delas. Esse novo formato de ocupação descaracteriza o bairro enquanto lugar da vivência, além de contribuir para o esquecimento de uma parte importante da nossa história. A história de uma cidade pode ser contada por sua arquitetura e parafraseando Raquel Rolnik “nunca estamos diante de uma cidade, mas sempre dentro dela”.
É preciso que se cumpra o Estatuto da Cidade, a sociedade deve exigir de fato o estudo prévio de impacto ambiental e o estudo prévio de impacto de vizinhança (Art.4, parágrafo VI), pois não são somente as áreas verdes que sofrem com essa pressão, a população cada vez mais se sente encurralada.
Novos moradores sempre serão bem vindos, mas será que o bairro vai suportar tanta gente? Será que as ruas vão suportar tantos carros?
Fica a pergunta.

José Machado de Lima Neto

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito boa iniciativa , vamos continuar levantando a bandera da geografia ..

Anderson
GEO/PUCSP