terça-feira, 4 de novembro de 2008
QUEREM ACABAR COM A ILHA
Lionel
Até hoje muitos pensam que a primeira das seis
>termelétricas [a carvão mineral e/ou óleo] que
>diversos grupos empresariais – MPX, VALE,
>Alumar, Gentech e outros – estão propondo
>encravar na Ilha de São Luís, essa ora badalada
>da MPX & EBX, é de apenas 360 MW, com consumo de
>2.500.000 litros de água do mar e 130 toneladas
>de carvão mineral POR HORA!!! NÃO É VERDADE.
>Todos os dados de consumo e de poluição,
>portanto, devem ser multiplicados por dois: é
>tudo em DOBRO, pois a UTE da MPX & EBX prevê formalmente a geração de 720 MW!
>
>A Usina Termelétrica UTE-PORTO DO ITAQUI, antiga
>UTE-Termomaranhã o, é um empreendimento promovido
>pela empresa Diferencial Energia, sendo esta 100
>% de propriedade da MPX Energia S.A., a qual por
>sua vez é controlada pela holding EBX, empresas
>estas todas controladas e orientadas com mão de
>ferro pelo multibilionário empresário EIKE
>Fuhrken BATISTA, golden boy filho dileto do
>famoso ex-presidente da CVRD, (agora apenas VALE), Dr. Eliezer Batista.
>
>Os dirigentes da MPX & EBX, em pessoa e por via
>de matérias pagas, insistem em tergiversar,
>omitir, iludir, dissimular fatos como esses, e
>reiteram, na maior cara de pau, que a UTE-Porto
>do Itaqui é de apenas 360 MW., apesar do que já
>foi informado em documentos oficiais ao mercado
>acionário de todo o país e do mundo [via CVM e
>Bovespa e anúncio público de 13/12/2007],
>
>Os dirigentes da MPX & EBX e seus vassalos
>locais, ainda por cima, propalam inverdades e
>tentam iludir olhos, corações e mentes com
>folders bem impressos, mas recheados de placebos
>e insuportáveis chavões dos “cantos-de-sereia”
>do diálogo, transparência e honestidade. Essa
>atitude nefasta vem provocando alto nível de
>desinformação e embates fratricidas entre a
>imensa e desinformada turma do “a favor do
>progresso a qualquer custo ambiental” e os
>defensores do desenvolvimento sustentável com
>inteligência, dignidade e cidadania.
>
>Apesar do Ministério Público, ALEMA e órgãos da
>sociedade civil estarem agindo e protocolando
>diversos recursos e tentando embargar a obra,
>parece que tudo está saindo como planejado pela
>empresa, pois mais de 80 famílias da Vila
>Madureira já estão sendo indenizadas e
>reassentadas. A empresa inclusive destinou uma
>verba de 70 milhões de reais a título de
>“incentivo”, e parece que tem dado certo,
>principalmente na prefeitura de São Luis e na
>FIEMA e pelo visto continuará com força total na gestão subsequente.
>
>È preciso que a sociedade tome conhecimento de
>tudo isso e se mobilize. Apenas o fato de
>propagar esse assunto que vem sendo trancado a
>sete chaves pela imprensa (provavelmente por
>causa do “incentivo”) já ajuda a evitar a
>destruição do ecossistema da ilha Upaon-Açu.
>Digo destruição e vou enumerar os fatos que podem ocorrer:
>
>. Destruição completa de todo o ecossistema de
>mananciais da região, devido ao despejo da água
>aquecida para o resfriamento da turbina. São 2
>milhões e meio de litros de água por Hora!! se
>tiver algum pescador nas imediações ficará
>literalmente cozido!!! isso provavelmente
>desequilibrará todo o ecossistema da ilha.
>
>. Poluição do ar por carvão. Com certeza, por
>mais ventilada que seja nossa ilha, não haverá
>dissipação suficiente do pó de carvão na
>atmosfera, ou seja, toda a vegetação nas
>imediações irá fatalmente morrer, incluindo a
>região do lindo Maracanã. Imaginem o que acontecerá com as pessoas.
>
>.Poluição por CO2. Se não bastasse o carvão, a
>população terá que viver caçando ar. O nível de
>CO2 aumenta absurdamente e os problemas
>respiratórios serão enormes. Seria ótimo para a
>floresta local essa quantidade de CO2, pena que estará coberta de carvão...
>
>Poluição sonora. Morar perto de uma usina destas
>é como dormir do lado de um trilho onde passa um
>trem de um infinito número de vagões.
>Provavelmente nem as pessoas nem a fauna
>conseguirão sobreviver próximas a ela, a não ser que sejam surdos.
>
>Agora o pior: A maior parte do dinheiro usado
>pela empresa pra construir a obra será
>proveniente do BNDES e bird. Ou seja, dinheiro
>público! Vão usar o dinheiro do povo pra acabar
>com ele. Ótimo. Principalmente sabendo que as
>termoelétricas são caras e muito pouco
>rentáveis, e nunca recomendáveis para países
>onde a geração hidrelétrica é abundante. Com
>certeza, parece mais um grande engodo para alguém levar algum.
>
>Tudo isso afetara a ilha inteira! do quebra-pote a raposa.
>
>Portanto, antes que destruam o que é nosso, vamos fazer alguma coisa!!!
>
>
>Giordano Mochel
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
DIVULGUEM
lionel
Fonte: Agência Petroleira de Notícias (www.apn.org. br)
Em Bom Jesus de Itabapoana, no Estado do Rio de Janeiro, os votos nulos alcançaram 89,23% da preferência do eleitorado e o candidato único à Prefeitura, João José Pimentel, do PTB, apenas 6,3%. Eram 26.863 eleitores, mas apenas 1.692 votaram em Pimentel. Em Santo Antônio de Pádua, Maria Dib, do PP, obteve 10.074, o equivalente a 37,9% dos votos, enquanto os nulos totalizaram 16.527, o equivalente a 60,35%.
De acordo com as regras eleitorais, nenhum candidato pode tomar posse quando os nulos e brancos vencem as eleições, alcançando um coeficiente maior que a soma dos votos dos candidatos. Nos dois municípios, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) terá que convocar novas eleições e os dois candidatos rejeitados pela população ficarão inelegíveis. As duas cidades tiveram outros concorrentes, mas suas candidaturas foram impugnadas. Agora será estabelecido um novo prazo para inscrições, propaganda eleitoral e os eleitores terão que voltar às urnas.
O Tribunal Regional Eleitoral (TER-RJ) já está com esquema todo preparado para realizar novas eleições para prefeito em Santo Antônio de Pádua e em Bom Jesus de Itabapoana. A intenção do presidente do TRE, desembargador Alberto Motta Moraes, é convocar o novo pleito ainda este ano, antes da diplomação dos prefeitos eleitos no estado. Pelo calendário eleitoral, a data-limite para os juízes diplomarem os vencedores das eleições deste ano é 18 de dezembro. Sua intenção é evitar que os presidentes de câmaras municipais sejam obrigados a tomar posse, interinamente.
Em Bom Jesus e Pádua, os eleitores deram uma lição de cidadania, demonstrando que o voto nulo é também uma forma de expressar opinião, quando os opções disponíveis não atendem às expectativas.
www.apn.org. br
terça-feira, 28 de outubro de 2008
PARA REFLEXÃO...
LISBOA (AFP) - O escritor português José Saramago, ao analisar a atual crise do sistema capitalista, afirmou nesta segunda-feira que Karl Marx "nunca teve tanta razão".
PUBLICIDADE
O escritor formulou esta declaração em uma entrevista coletiva sobre o lançamento do filme "Ensaio sobre a Cegueira", de Fernando Meirelles, em Lisboa.
"Onde estava todo esse dinheiro (desbloqueado para resgatar os bancos)? Estava muito bem guardado. Logo apareceu, de repente, para salvar o quê? vidas? Não, os bancos", declarou o prêmio Nobel de Literatura de 1998.
"Marx nunca teve tanta razão como agora", ressaltou José Saramago, acrescentando que "as piores conseqüências ainda não se manifestaram".
Ao ser ouvido sobre o vínculo entre o tema de seu romance e a crise financeira, o escritor respondeu que "sempre estamos mais ou menos cegos, sobretudo, para o fundamental".
Walerie-Cageo
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
A primeira macrometrópole do hemisfério sul
A mancha urbana cresceu a ponto de emendar São Paulo a Campinas, uniu 65 municípios e hoje abriga 12% da população brasileira
Em 1722, o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, que herdou o nome do pai, o lendário Anhangüera, deixou a cidade de São Paulo com uma tropa de 152 homens armados, 2 religiosos e 39 cavalos.Por cinco dias, embrenhou-se na mata fechada até achar um lugarejo que virou ponto estratégico para tropeiros ávidos em chegar ao sertão das minas de ouro de Goiás e Mato Grosso. Essa parada, 23 anos depois, foi batizada de Campinas. Hoje o antigo "Caminho dos Goiases", a trilha de 102 quilômetros aberta pelo bandeirante, virou uma coisa só: a primeira macrometrópole do Hemisfério Sul, uma mancha urbana de 22 milhões de habitantes.
São 300 mil veículos que circulam todo dia pelo complexo rodoviário mais movimentado de São Paulo, as Rodovias Anhangüera e Bandeirantes. No entremeio fica o parque industrial mais rico do País, que responde por 65,3% do Produto Interno Bruto estadual ou 22,1% do nacional, uma economia de R$ 475 bilhões. Estudo da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa), com base em imagens de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e obtido com exclusividade pelo Estado, indica que entre os dois aglomerados urbanos não há mais que meros 14 km entre bairros com o mínimo de 72 moradias, conceito mundial para definir uma macrometrópole, a junção de duas regiões metropolitanas.
Os 65 municípios localizados às margens ou bem próximos das duas rodovias estão ligados. Em cada grupo de 100 brasileiros, 12 moram nessa mancha. Sua extensão de 11.698 quilômetros quadrados equivale a 0,27% do território brasileiro, mas abriga mais gente do que países como Chile, Bélgica e Holanda. "Hoje não temos uma rodovia, mas uma avenida urbanizada ao longo da Via Anhangüera", afirma o arquiteto Nestor Goulart Reis, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP), autor do estudo Urbanização Dispersa e Novas Formas de Tecido Urbano. "O cotidiano das famílias pode se organizar dentro desses 100 quilômetros."
O casal Henrique Sana, de 24 anos, e Fernanda Campos, de 26, trocou a Rua Pedroso Alvarenga, no movimentado Itaim-Bibi, na zona sul paulistana, pelo bairro do Cambuí, em Campinas. Nessa decisão pesaram três fatores. Primeiro, o fato de morar melhor gastando menos - no interior, o valor do metro quadrado construído chega a quase metade do preço do de um bairro paulistano como Moema. Depois, pela proximidade com o trabalho de Fernanda, supervisora comercial no Aeroporto de Viracopos, maior terminal de cargas do País. Mas, acima de tudo, qualidade de vida superior. Henrique, analista de sistemas, manteve o emprego na capital, para onde vai três dias por semana, de ônibus fretado; nos outros dois, dá expediente em Jundiaí, quando tira o automóvel da garagem.
"Estamos o tempo todo na estrada, mas isso não é ruim", diz Henrique. "Chegamos em casa à noite e ainda temos pique de pegar o carro e ir para um barzinho ou a um cinema. Em São Paulo, perdia uma hora e meia no trânsito, chegava esgotado e só queria dormir." Como parte dos clientes de Fernanda é de São Paulo, ela precisa de dois aparelhos celulares, um para cada cidade. Mas o casal já se acostumou a se movimentar de carro, aproveitando o que cada metrópole ou município vizinho tem de melhor. Ir a restaurantes, sorveterias, cinemas, rever os amigos na capital e visitar a família dela, no interior, tudo isso se transformou em prazer.
A formação da macrometrópole só foi possível graças a uma série de progressos da engenharia moderna. No início do século 20 surgiu a Companhia Paulista de Estradas de Ferro, cujos trens foram responsáveis pelo escoamento do café produzido em isoladas fazendas do interior. Como em todo o Estado, a riqueza cafeeira forjou a urbanização no entorno. No fim da década de 1940, a Via Anhangüera, ainda de terra, se firmava como importante corredor comercial, mas só ligava São Paulo a Jundiaí. Nos anos 1960, veio o inevitável asfaltamento da rodovia, que reduziu em uma hora o percurso. Na década seguinte, indústrias da capital e multinacionais decidiram abrir sedes e galpões ao longo da estrada - um pouco para fugir dos caros aluguéis, outro tanto pelo surgimento de um mercado em franca expansão, a rica região do oeste paulista.
Com mais empregos, aumentou o fluxo migratório da classe média para as cidades menores do interior. Proliferaram os condomínios fechados, erguidos sobre terrenos de baixo custo, ao longo de estradas vicinais. Esse processo foi reduzindo a distância física entre os municípios, e se acentuou ainda mais com a conclusão da Rodovia dos Bandeirantes, em 1978. A estrada expressa, considerada a melhor do País pela Confederação Nacional do Transporte, intensificou o fluxo do trans-porte de cargas e de pessoas, condizente com a nova dimensão econômica de São Paulo e Campinas. A partir da segunda metade dos anos 1980, a pujança virou ímã para uma classe média operária, migrantes nordestinos e desempregados da capital. Terrenos públicos ao longo da rodovia foram invadidos, na periferia das cidades menores. Formaram-se bairros com ruas em chão de terra, alguns que começam em um município e terminam em outro, como as ocupações dos últimos anos na Estrada de Santa Inês, zona norte, área limítrofe com Caieiras e Mairiporã. Em todos, um ponto em comum: ausência do poder público. O Jardim Amanda, em Hortolândia, por exemplo, espera por saneamento básico e asfalto desde a invasão, há 20 anos.
É justamente esse inchaço no miolo da mancha urbana que preocupa, agora, urbanistas e governantes. Há uma massa de famílias pobres que não pára de migrar para bairros como o Distrito Anhangüera, na zona norte de São Paulo. A população cresceu 176% entre 1996 e 2007, segundo a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). Um crescimento 14 vezes maior que o da capital, de 12,1%.
A explosão demográfica ganha contornos e rostos como o do ajudante de obras Sebastião Floriano, de 40 anos. Em 1989, ele deixou a praia de Paracuru, no Ceará, para morar no Grajaú, zona sul paulistana, onde pagava R$ 400 de aluguel por um barraco. Até que, em 2001, a convite de um primo, Floriano levou a mulher, Maria, e dois filhos para viverem em Barueri. O município cresceu 60,6% de 96 a 2007, saltando de 170 mil para 273 mil habitantes. Em pouco tempo o pedreiro virou o "feliz" mutuário de um conjunto habitacional, construído no terreno que ele e centenas de outras pessoas invadiram e, posteriormente, foi desapropriado pela prefeitura. "Já chamei mais dois primos, está vindo todo mundo", diz. "Pode ver, a cidade é bem mais sossegada, não tem aquela bandidagem nas ruas à noite." Eles não se importam com os longos deslocamentos que têm de fazer para trabalhar. Maria recorre ao ônibus intermunicipal para ir ao bairro da Pompéia, zona oeste da capital, onde é doméstica. Ele vai com o próprio carro (um Chevette 1977, que guarda na garagem de um amigo) até a estação ferroviária e segue de trem e metrô para uma construtora na Vila Carrão, na zona leste. "Não tenho como ganhar aqui o que ganho em São Paulo. Mas meus filhos estudam em escola boa, da prefeitura, enquanto no Grajaú nunca tinha vaga", conta ele.
Segundo o arquiteto e urbanista Mário Barreiros, da Emplasa, o crescimento da macrometrópole remete às highways, as largas estradas dos Estados Unidos: o condomínio, a universidade um pouco à frente, alguns quilômetros adiante o shopping, ao lado a favela e, entre eles, só a rodovia. "A urbanização dispersa gera novas preocupações, como a distribuição de água, coleta de lixo e transporte público. Num ambiente fragmentado, esses serviços são mais difíceis de serem implementados", explica.
A Emplasa, órgão vinculado ao governo estadual, foi criada em 1975 justamente para apoiar prefeituras e entidades públicas e privadas na busca de soluções integradas na mancha urbana. Mas, na visão do arquiteto Nestor Goulart Reis, da USP, isso jamais ocorreu. "A Emplasa nunca conseguiu construir um envolvimento dos prefeitos para a adoção de medidas conjuntas que pudessem trazer benefícios em comum para as regiões", critica. "Não existe uma gestão homogênea."
Hortolândia se expandiu no embalo do crescimento de Campinas. Tinha 80 mil habitantes no início dos anos 1990, quando incentivou a instalação de um pólo farmacêutico e tecnológico. Empresas como IBM, Belgo Mineira e Dell construíram sedes em áreas estratégicas a 30 quilômetros do Aeroporto de Viracopos e às margens do anel viário formado pelas Rodovias Anhangüera, Bandeirantes, D. Pedro I e o ainda incompleto Rodoanel. Atraídas pela perspectiva de emprego, milhares de famílias de baixa renda de cidades vizinhas, como Sumaré e Nova Odessa, começaram a invadir terrenos de Hortolândia, os mesmos que a prefeitura queria negociar com o mercado industrial. Não absorvidas pelas indústrias, acabaram formando um bolsão de miséria numa das regiões mais ricas do País. Segundo o Censo de 2007, o município tem 191 mil habitantes, que ocupam 62,3 km2.
Com a transferência de presos da antiga Casa de Detenção da capital para o complexo de presídios Campinas-Hortolândia, a partir de 2001, a situação se deteriorou. Hoje, são 7 mil detentos. Famílias de presos passaram a se instalar em invasões sem estrutura alguma. Os dejetos dos presídios escorrem a céu aberto, matando o Ribeirão Jacuba, principal manancial da cidade. "Você não acredita no tamanho das ratazanas que saem desse córrego à noite. Do meu quarto dá para ouvir elas andando na rua de terra", conta o carpinteiro Francisco Antônio de Oliveira, de 78 anos, tido como "zelador" da Vila Conquista. Uma estação de tratamento de esgoto está sendo construída e a prefeitura investe na reurbanização de bairros antes considerados invasões.
Se as obras viárias permitem que a mancha urbana vire uma macrometrópole, as cidades ainda padecem de falta de planejamento e de soluções eficientes para problemas urbanos. São municípios ligados, mas não conectados. "As regiões não possuem modos de vida integrados. Ao contrário, têm muitas especificidades. O morador de Sumaré, na maioria das vezes, não tem nenhum contato com o de São Paulo", pondera o sociólogo Ricardo Ojima, do Núcleo de Estudos de População da Universidade Estadual de Campinas. Nas imagens de satélite, percebe-se que a desconcentração da capital se deu num raio de 150 quilômetros. "A indústria não queria se distanciar da estrutura de suporte logístico oferecida pela metrópole, nem da comodidade para o escoamento das mercadorias pelo Porto de Santos", aponta a pesquisadora do Inpe, Cláudia Maria de Almeida.
Na última década, empresas como Coca-Cola, Pepsi e AGA se instalaram no miolo da mancha urbana, na estrada que liga Jundiaí a Cabreúva, formando um dinâmico corredor empresarial. A multinacional holandesa Akzo Nobel, fabricante de tintas, montou sua fábrica no parque industrial e passou a exigir mão-de-obra local e de fora. O paulistano Adenilson Araújo, de 50 anos, foi um dos contratados. Para ficar perto do trabalho, mudou-se para um condomínio fechado na Serra do Japi, em Jundiaí e uma das últimas reservas de mata atlântica. "Foi uma excelente opção. Hoje, eu, minha esposa e meus dois filhos temos vidas bem mais tranqüilas", anima-se o gerente de Recursos Humanos. A filha Ana Carolina, de 23, conseguiu emprego na IBM de Hortolândia, e usa todos os dias a Rodovia dos Bandeirantes para ir trabalhar.
Na projeção da Emplasa, a macrometrópole deverá ser ainda maior com a conurbação de São Paulo e Campinas com a Baixada Santista, o Vale do Paraíba e a região Piracicaba-Limeira, totalizando 28 milhões de habitantes em 102 municípios. É questão de alguns anos para a mancha urbana pôr os pés na areia. "Pensávamos que Lagos, capital da Nigéria, seria a primeira macrometrópole do Hemisfério Sul, mas o que se observa entre São Paulo e Campinas é a sinergia entre estruturas de serviços e transportes que ainda não existe em países populosos da África", diz Jurandir Fernandes, presidente da Emplasa. À frente da macrometrópole brasileira estão as regiões de Tóquio-Kobe, a chinesa Xangai e Cidade do México.
"Uma macrometrópole que tem quatro aeroportos (Congonhas, Cumbica, Viracopos e Jundiaí) não pode ficar desprovida de ferrovias usadas por trabalhadores", adverte Fernandes. Hoje, os trens chegam até Jundiaí e o expresso para ligar Campinas à capital deve virar realidade só depois de 2012. A tendência de São Paulo se ligar ao Rio também é acentuada, mas não se verifica a existência de uma macrometrópole entre elas - ainda. Nos quase 600 quilômetros que as separam, há espaços de até 23 quilômetros sem interligação - como entre Queluz (SP) e Resende (RJ).
As características da macrometrópole foram concebidas no começo do século 20 pelo escocês Patrick Geddes para definir o ajuntamento urbano que cobria parte do noroeste dos Estados Unidos. Esses ajuntamentos tinham para Geddes, considerado o pai do planejamento urbano, um caráter "apocalíptico". No polêmico estudo Bos-Wash, referindo-se à conurbação entre Boston e Washington, ele afirmava que as metrópoles estavam fadadas à destruição, tornando-se "necrópoles", cidades mortas. Hoje, o que se observa é a crescente migração para grandes centros urbanos. Aos governantes e cidadãos cabe evitar o "risco de morte" anunciado no século passado pelo escocês.
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Destruição da Amazônia na prateleira do supermercado
folha online
por Andrea Vialli, Seção: Cadeias produtivas, Consumo s 18:37:53.
Floresta no Pará transformada em pasto. Foto de Beto Barata/AE
Há um pouco de destruição da floresta amazônica em cada prateleira do supermercado. E nós, consumidores, ainda dispomos de poucos meios para saber o quanto estamos contribuindo para a devastação do nosso bioma mais importante.
A carne, soja e madeira que consumimos por aqui estão na raiz do desmatamento da Amazônia. O que já era dito por ambientalistas que há tempos atuam na região foi comprovado com um estudo divulgado esta semana, durante o seminário "Conexões Sustentáveis: São Paulo - Amazônia". O levantamento é fruto de um extenso trabalho de reportagem das ONGs Repórter Brasil e Papel Social Comunicação.
A equipe acompanhou essas cadeias produtivas, para mostrar que a destruição da floresta favorece empresas intermediárias, que compram de produtores em situação irregular, e depois fabricam ou processam mercadorias consumidas pelos moradores de São Paulo e de outros grandes centros consumidores do País.
“Na ponta da cadeia produtiva, diversos atores se beneficiam. Madeireiras, frigoríficos e agroindústrias estão diretamente ligadas ao problema, pois compram de fornecedores que estão na linha de frente do desmatamento. Posteriormente, distribuem produtos industrializados para uma ampla rede de compradores”, diz um trecho do documento, disponível para download no site do Movimento Nossa São Paulo.
Pecados da carne
O caso da carne é emblemático. O Brasil hoje tem o maior rebanho bovino do mundo - o número de cabeças, estimado em 250 milhões, supera até a população brasileira. Sim, tem mais boi que gente.
Entre 2003 e 2006 o rebanho bovino cresceu 10 milhões, sendo que 96% desse crescimento ocorreu na Amazônia Legal. Nesta região, os abatedouros que portavam o Serviço de Inspeção Federal (SIF) no ano de 2004 eram 27. Já em 2007 o número saltou para 87 . O grande incentivo é o preço da terra: cada hectare custa R$ 250, segundo informações do Greenpeace.
Uma pechicha: é só botar a mata abaixo e colocar gado lá. Tem quem compre. Nós.
Nunca é demais lembrar que a ocupação da área amazônica foi fartamente estimulada pelo governo na década de 1970, com subsídios para a pecuária e derrubada da floresta para fins agrícolas. Levas de migrantes do sul e sudeste do País foram incentivados a ir para o norte para “desbravar” a região. Mesmo hoje o governo dá pistas de que ainda não assimilou bem o conceito do desenvolvimento sustentável para a Amazônia.
Ainda sobre a carne, não é de hoje que vem sendo dados alertas de que o aumento no seu consumo é um forte ingrediente para o aquecimento global. O próprio Rajendra Pachauri, Nobel da Paz e presidente do Painel da ONU para as Mudanças Climáticas (IPCC) recomendou que, para o bem do planeta, as pessoas comam menos carne. Isso porque, para se produzir um quilo de proteína animal, são necessários vários outros de proteína vegetal - soja, milho. E haja terra para plantar grãos para alimentar gado para alimentar humanos... Nessa toada, não há floresta que resista. E vale lembrar que a Amazônia regula o clima e o regime de chuvas de todo o País...
Pactos
De toda forma, o alerta dado pelas ONGs uniu grandes empresas - que também precisam salvaguardar sua imagem - na assinatura de um pacto para vigiar suas cadeias produtivas e só comprar de fornecedores que estejam em conformidade com a lei. As três maiores redes varejistas - Pão de Açúcar, Wal-Mart e Carrefour assinaram. Os maiores frigoríficos também, incluindo os gigantes JBS Friboi e Marfrig. Como o papel aceita tudo, o cumprimento dos pactos será monitorado por um conjunto de ONGs e também pelo Ministério do Meio Ambiente.
Cageo Figuinha - Walerie
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
SEMANA DE GEOGRAFIA
http://www.ige.unicamp.br/cact/semana-de-geografia/programacao/
terça-feira, 14 de outubro de 2008
mais informações
Instado a traçar o melhor e o pior cenário para a economia mundial pós-crise global, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse o seguinte:
“O melhor cenário seria uma contenção rápida da crise financeira, com recuperação gradual da disponibilidade de crédito e da atividade econômica ao longo de 2009 e 2010...”
“...O pior cenário seria a agudização da crise, o aumento do protecionismo, o nacionalismo exacerbado e as tensões políticas vigentes na década de 30 do século passado.”
Ou seja, para Meirelles, ainda que seja contida rapidamente, a encrenca financeira vai impor sacrifícios que se estenderão até 2010, ano de sucessão presidencial no Brasil.
Meirelles falou aos repórteres Marcio Aith e Giuliano Guandalini. A entrevista foi às páginas de Veja (só assinantes). Vão abaixo os principais trechos:
As armas do BC: O Banco Central dispõe de mais de 200 bilhões de dólares em reservas internacionais, depósitos compulsórios volumosos, uma posição substancial no mercado de dólares futuro, além de poderes para efetuar posições de redesconto sem limitações. Portanto, temos munição mais do que suficiente para enfrentar as questões de liquidez do mercado.
Os riscos de contágio: A crise externa é severa, e ninguém estará imune a ela. Além dos fatores mencionados anteriormente, temos uma dívida pública cadente como porcentual do PIB e o BC comprometido com o controle da inflação. É preciso também enfatizar que o governo brasileiro é credor líquido em moeda estrangeira, e, em momentos de crise internacional com depreciação do real, a dívida pública cai. Esse é outro fator estabilizador importante.
As razões da subida do dólar: A falta de dólares nos mercados interbancários internacionais provocou um desequilíbrio momentâneo entre oferta e demanda de dólares. Exportadores que haviam apostado na desvalorização da moeda americana tiveram que comprar dólares para fechar a posição perdedora no mercado futuro, reforçando esse desequilíbrio. A queda do preço das commodities também parece ter contribuído para esse movimento. Finalmente, o aumento da aversão ao risco internacional fez com que investimentos retornassem aos países de origem. Por outro lado, os fundamentos sólidos da economia brasileira tenderão a prevalecer.
A demora da reação do BC: O BC sempre é criticado por atuar demais ou de menos. Nossa política de ampliação das reservas, por exemplo, foi muito criticada por analistas que não previam a possibilidade de crise. Neste episódio, o BC usou diversos instrumentos à sua disposição conforme foi necessário. Isso não significa que o BC tenha metas para a taxa de câmbio. Tentativas no passado de controlar a taxa de câmbio foram malsucedidas. Nossa atuação visa apenas a reagir a mercados disfuncionais, isto é, sem liquidez.
As diferenças entre o modelo cambial do pós-real e o atual: [...] Naquela época o Brasil tinha um regime de câmbio controlado e o BC vendia qualquer quantidade de dólares a uma taxa predeterminada. Hoje o país tem câmbio flutuante e fundamentos mais sólidos. O aumento da taxa de câmbio é um fator estabilizador nos fluxos cambiais na medida em que estimula exportações de bens e serviços e desestimula importações dos mesmos [...].
O caso das empresas endivididas em dólar: Não houve ajuda a nenhuma empresa ou setor [com a intrvenção do BC no mercado de câmbio]. O BC atua visando a regularizar a liquidez nos mercados de câmbio, cujo desequilíbrio persistente poderia provocar uma crise de graves conseqüências para o país, como tivemos no passado. As intervenções beneficiam a economia brasileira como um todo, os cidadãos e as empresas em funcionamento no país. Além disso, o Tesouro tem tido ganhos cambiais expressivos, e até o momento não houve dispêndio de um centavo público.
A diferença entre os bancos brasileiros e os estrangeiros: O sistema bancário americano sofreu perdas substanciais no sistema hipotecário, e essa é a causa dos problemas. Os bancos europeus também vêm sofrendo perdas importantes no mercado imobiliário americano. Os bancos brasileiros não têm empréstimos nesse setor. As questões de liquidez no Brasil são reflexo da liquidez externa, e providências estão sendo tomadas. Não há problemas de solvência bancária no país. Note-se que a MP 442 visa a lidar com problemas de liquidez, não de solvência.
As ações do BC para proteger os bancos: O BC já reduziu depósitos compulsórios, efetuou vendas de dólares nos mercados à vista e futuro e está provendo linhas de liquidez em dólares. E está preparado para tomar outras medidas, caso necessário.
A MP 442 e velho Proer: Não [são iguais]. O Proer visou a proteger os depositantes e o país de perdas existentes no sistema financeiro, tal como está sendo feito em outros países. A MP 442 é totalmente transparente, e seu objetivo é apenas enfrentar problemas de liquidez, e não de solvência, de instituições que tenham carteiras de boa qualidade para oferecer ao BC.
O melhor e o pior cenário para a economia mundial: O melhor cenário seria uma contenção rápida da crise financeira, com recuperação gradual da disponibilidade de crédito e da atividade econômica ao longo de 2009 e 2010. O pior cenário seria a agudização da crise, o aumento do protecionismo, o nacionalismo exacerbado e as tensões políticas vigentes na década de 30 do século passado.
O principal canal de contágio no Brasil: A contração do crédito, que teria efeito contracionista sobre a atividade econômica, e a pressão cambial, que poderia ter efeito inflacionário. Nossas ações visam exatamente a mitigar esses impactos sobre a economia.
fonte : lista de Geografia- Brasil - Yahoo
Nós que vamos pagar
Bom como já previamos , o Estado vai arcar com a derrota dos especuladores , e quem vai pagar a conta somos nós .
O fato é que as medidas tomadas na europa vão em outra escala atingir o Brasil , sendo assim nós vamos pagar pela crise , e se as bolsas mundias estão subindo que dizer que os gastos em setores básicos da população vai estagnar, pois estão diretamente ligado a ajuda do estado ( e pensamos estado como nós) ao mercado financeiro.
Precisamos nos mobilizar , e dizer não .
veja essa :
O governo britânico lançará na segunda-feira a maior operação de resgate dos bancos, que prevê a injeção de 35 bilhões de libras (cerca de R$ 138 bilhões) para salvar do colapso quatro das maiores entidades do país, informou a edição deste domingo do jornal "The Sunday Times".
Segundo os planos, o governo poderia se transformar no proprietário de 70% das ações do Halifax Bank of Scotland (HBOS), o principal banco hipotecário do país, e de 50% do Royal Bank of Scotland (RBS).
Prevê-se que na segunda-feira o RBS, um dos bancos mais castigados pela crise financeira internacional ao cair seu valor da bolsa abaixo dos 12 bilhões de libras (cerca de R$ 47 bilhões) peça ao governo um financiamento de 15 bilhões de libras (cerca de R$ 59 bilhões).
O HBOS, por sua vez, estima pedir um financiamento de até 10 bilhões de libras (cerca de R$ 39,4 bilhões).
O Lloyds TSB (em processo de aquisição do Halifax Bank of Scotland) pretende pedir 7 bilhões de libras (cerca de R$ 27 bilhões) e o Barclays, 3 bilhões de libras (cerca de R$ 11,8 bilhões), de acordo com a fonte.
A escala do financiamento poderia provocar a suspensão da cotação na Bolsa de Valores de Londres para dar tempo ao mercado de absorver o impacto das medidas.
Além disso, o Lloyds TSB poderia renegociar os termos do acordo de compra do HBOS, mas, segundo as fontes citadas pelo jornal, as duas partes estariam decididas a seguir adiante com o acordo.
O plano de salvamento também pode significar que os bancos tenham que reconhecer futuras perdas por causa da exposição às hipotecas subprime e a outros instrumentos financeiros.
De acordo com o "Sunday Times", o presidente do Banco da Inglaterra, Mervyn King, disse aos bancos para pedirem mais dinheiro do que precisam, a fim de garantir que sua posição de liquidez ganhe força o suficiente para absorver eventuais abalos e para resistir a uma longa recessão.
Os quatro bancos fazem parte do grupo de sete entidades que esta semana decidiram participar do ambicioso plano de resgate avaliado em 500 bilhões de libras (cerca de R$ 1,9 trilhão), anunciado na quarta-feira (8) pelo primeiro-ministro do Reino Unido.
King insistiu na recapitalização dos bancos como condição para outros elementos do plano, que segue três linhas de atuação: nacionalização parcial dos bancos, aumento do dinheiro destinado a trocas de títulos e cédulas hipotecárias por papéis do Estado, e fundos para garantir as emissões de dívida.
Neste sábado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) advertiu que as bolsas podem cair "outros 20%". Em declarações à Sky News, o líder da oposição conservadora britânica, David Cameron, defendeu que o governo, sempre que proteger o contribuinte, "faça o necessário" para que os bancos voltem a ter liquidez, mas alertou que seu apoio não era "um cheque em branco".
Fonte: folha on line.
Apenas o Sudeste alcança meta de escolaridade estipulada pela Constituição, diz Ipea
Do UOL NotíciasEm São Paulo
Vinte anos após a Constituição Federal ser aprovada, apenas os moradores de mais de 15 anos da região Sudeste do país têm a escolaridade mínima obrigatória estipulada na Carta: oito anos de estudo. O dado faz parte de uma pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) baseada em números da Pnad 2007 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, feita pelo IBGE). O número de anos de estudo dos brasileiros vem crescendo desde 1992 de forma contínua e, em 2007, atingiu a média de 7,3 anos - um aumento de 0,1 em relação a 2006. Mas, excetuando-se o Sudeste, todas as regiões brasileiras seguem abaixo do ideal: no Sul, as pessoas com mais de 15 anos estudam em média 7,6 anos; no Centro-Oeste elas são 7,5; no Norte, 6,8; e no Nordeste, elas têm apenas 6 anos de estudo.
Ao analisar os números separadamente, observa-se que quanto maior a faixa etária, menor a escolaridade. Por exemplo, as pessoas de 18 a 24 anos têm 9,1 anos de estudo, e a população com mais de 30 anos tem 6,5 anos. Segundo o Ipea, o grande avanço na faixa etária entre 15 e 17 se explica pela "existência de um longo período de prevalência de políticas de universalização do ensino fundamental". Do outro lado, duas razões são apontadas pelo Ipea para a defasagem da escolaridade entre os mais velhos: falta de acesso a escola quando estavam em idade adequada e possível ineficiência dos programas de alfabetização de adultos e idosos.
Além da faixa etária, diferenças são constatadas também entre as populações urbana e rural. Enquanto os moradores das cidades têm 8,5 anos de estudo, em média, no campo esse número cai para 4,5.
A diferença se repete quando o estudo compara brancos e negros. A população negra tem média de 6,4 anos de escolaridade e a branca, 8,2.
Analfabetismo
A faixa populacional que mais sofre com a falta de escolaridade é também a mais atingida pelo analfabetismo. Cerca de 90% dos analfabetos tem 25 anos ou mais. Na zona rural, quase 25% das pessoas não sabem ler - na zona urbana são apenas 4,4%. E a concentração de analfabetos entre os negros (14,1%) é mais que o dobro da concentração entre os brancos (6,1%).
Segundo a Pnad, 10% dos brasileiros com mais de 15 anos ainda são analfabetos, apesar da diminuição contínua do índice desde 1992.
O combate ao analfabetismo foi mais eficiente na faixa etária acima dos 40 anos: a taxa caiu 12 pontos percentuais entre 1992 e 2007. Entre as pessoas de 15 a 17 anos esse número caiu 6,5 pontos e entre os de 30 a 39 anos, a queda foi de 5,4, por exemplo. Mas o Ipea alerta que, se o ritmo atual for mantido, "a erradicação do analfabetismo no Brasil terá de aguardar por pelo menos outras duas décadas".
No mesmo ritmo, igualdade racial virá apenas em 2029
Ao analisar a renda de brancos e negros em todas as faixas de idade, o Ipea aponta que os negros têm uma renda per capita menor que a metade da renda dos brancos. Esta desigualdade "particularmente detestável", afirma o Ipea, é "puramente resultado de discriminações passadas ou presentes". A diferença na renda de brancos e negros se manteve praticamente igual entre 1986 e 2000 e só começou a diminuir de forma sistemática a partir de 2001. O instituto afirma que "se o ritmo continuar o mesmo, haverá igualdade racial na renda domiciliar per capita apenas em 2029". A redução se deu no mesmo período em que a desigualdade na distribuição de renda caiu como um todo no país. O Ipea questiona se a mudança, portanto, não se deve apenas aos programas que visam a redução da desigualdade, como o programa Bolsa Família, e não a um combate às práticas discriminatórias. Mas o próprio Ipea se incumbe de responder ao questionamento ao mostrar que houve mobilidade social dos negros: a sua representação entre os mais ricos aumentou ligeiramente nesse período, portanto o resultado não se deve somente aos programas federaisAlém da faixa etária, diferenças são constatadas também entre as populações urbana e rural. Enquanto os moradores das cidades têm 8,5 anos de estudo, em média, no campo esse número cai para 4,5. A diferença se repete quando o estudo compara brancos e negros. A população negra tem média de 6,4 anos de escolaridade e a branca, 8,2.AnalfabetismoA faixa populacional que mais sofre com a falta de escolaridade é também a mais atingida pelo analfabetismo. Cerca de 90% dos analfabetos tem 25 anos ou mais. Na zona rural, quase 25% das pessoas não sabem ler - na zona urbana são apenas 4,4%. E a concentração de analfabetos entre os negros (14,1%) é mais que o dobro da concentração entre os brancos (6,1%).Segundo a Pnad, 10% dos brasileiros com mais de 15 anos ainda são analfabetos, apesar da diminuição contínua do índice desde 1992. O combate ao analfabetismo foi mais eficiente na faixa etária acima dos 40 anos: a taxa caiu 12 pontos percentuais entre 1992 e 2007. Entre as pessoas de 15 a 17 anos esse número caiu 6,5 pontos e entre os de 30 a 39 anos, a queda foi de 5,4, por exemplo. Mas o Ipea alerta que, se o ritmo atual for mantido, "a erradicação do analfabetismo no Brasil terá de aguardar por pelo menos outras duas décadas".
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
São Paulo concentra 28% da população e 40,5% do PIB do País
Metrópole tem influência sobre todo o Brasil, o Estado, parte do Triângulo Mineiro, MS, MT, RO e AC
Jacqueline Farid, da Agência Estado
RJ - Com 28% da população e 40,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, a metrópole de São Paulo exerce influência em todo o País, principalmente no Estado de São Paulo, parte do Triângulo Mineiro e do sul de Minas, estendendo-se para Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia e Acre. As informações constam no estudo "Redes de Influência das Cidades 2007", divulgado na manhã desta sexta-feira, 10, pelo IBGE.
Segundo o IBGE, a rede de influência de São Paulo, que é a "Grande Metrópole Nacional" concentra, nos municípios que a compõem, cerca de 28,% da população brasileira e 40,5% do PIB de 2005. "A alta concentração/primazia se reflete no PIB per capita", que é de R$ 21,6 mil para São Paulo, e R$ 14,2 mil para os demais municípios do conjunto de 12 grandes centros urbanos (metrópoles) analisados.
Ainda de acordo com o estudo, existem no País 12 grandes redes de influência, que interligam até mesmo municípios situados em diferentes Estados, como é o caso de São Paulo. Entre os diversos dados comparativos coletados a respeito dessas 12 redes de influência, o estudo mostra que, para fazer compras, a população brasileira se desloca cerca de 49 km, em média. Revela também que, quando procura atendimento fora do município, a população desloca-se em média 54 km na busca por serviços de saúde.
Rio
O estudo mostra que o Rio de Janeiro tem projeção no próprio Estado do Rio, no Espírito Santo, em parcela do sul da Bahia, e na Zona da Mata de Minas Gerais, onde divide influência com Belo Horizonte. Essa rede conta com 11,3% da população do País e 14,4% do PIB nacional.
Já a população da rede de Brasília representa 2,5% da população do País e 4,3% do PIB nacional. A extensão dessa rede compreendendo o oeste da Bahia, alguns municípios de Goiás e do noroeste de Minas Gerais. Entre todas as redes, esta tem o mais alto PIB per capita, R$ 25,3 mil.
Os 12 centros identificados como metrópoles, ou seja, com rede de influência, são Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Goiânia.
O estudo do IBGE analisou informações fornecidas pela rede de agências do IBGE sobre 4.625 municípios, e registros administrativos do próprio instituto, de órgãos estatais e empresas. O objetivo é mostrar as redes formadas pelos principais centros urbanos do País, baseadas na presença de órgãos do Executivo, do Judiciário, de grandes empresas e na oferta de ensino superior, serviços de saúde e domínios de internet.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
entenda a crise.

fonte : folha.com.br
O mercado imobiliário dos EUA passou por uma fase de expansão acelerada logo depois da crise das empresas "pontocom", em 2001. O Federal Reserve (Fed, o BC americano) passou a reduzir sua taxa de juros, a fim de baratear empréstimos e financiamentos e encorajar consumidores e empresas a voltarem a gastar.
O setor imobiliário se aproveitou desse momento de juros baixos: a demanda por imóveis cresceu, atraindo compradores. Em 2003, por exemplo, os juros do Fed chegaram a cair para 1% ao ano --menor taxa desde o fim dos anos 50.
Em 2005, o "boom" no mercado imobiliário já estava avançado; comprar uma casa (ou mais de uma) tornou-se um bom negócio, não só para quem queria adquirir a casa própria, mas também para quem procurava em que investir. Também cresceu a procura por novas hipotecas, a fim de usar o dinheiro do financiamento para quitar dívidas e consumir.
As companhias hipotecárias descobriram nessa época um nicho ainda a ser explorado no mercado: o de clientes do segmento "subprime", caracterizados, de modo geral, pela baixa renda, por vezes com histórico de inadimplência e com dificuldade de comprovar. O segmento "subprime", assim caracterizado, representa um risco maior de inadimplência que os de outras categorias de crédito. mas justamente por ser de maior risco, as taxas de retorno são bem mais altas.
A promessa de retornos altos atraiu gestores de fundos e bancos, que compraram esses títulos "subprime" das companhias hipotecárias e permitiram que uma nova quantia em dinheiro fosse emprestada, antes mesmo do primeiro empréstimo ser pago. Um outro gestor, interessado no alto retorno envolvido com esse tipo de papel, comprou o título adquirido pelo primeiro, e assim por diante, gerou uma cadeia de venda de títulos.
Porém, se a ponta (o tomador) não consegue pagar sua dívida inicial, ele dá início a um ciclo de não-recebimento por parte dos compradores dos títulos. O resultado: todo o mercado passa a ter medo de emprestar e comprar os "subprime", o que termina por gerar uma crise de liquidez (retração de crédito).
Após atingir um pico em 2006, os preços dos imóveis, no entanto, passaram a cair. Os juros do Fed, que vinham subindo desde 2004, encareceram o crédito e afastaram compradores; com isso, a oferta começou a superar a demanda e, desde então, o que se viu foi uma espiral descendente no valor dos imóveis.
Com os juros altos, a inadimplência aumentou e o temor de novos calotes fez o crédito sofrer uma desaceleração expressiva no país como um todo. Sem oferta suficiente de crédito, a economia dos EUA desaqueceu. Com menos liquidez (dinheiro disponível), menos se compra, menos as empresas lucram e menos pessoas são contratadas.
No mundo da globalização financeira, créditos gerados nos EUA podem ser convertidos em ativos que vão render juros para investidores na Europa e outras partes do mundo. Por isso o pessimismo influencia os mercados globais e atinge tão profundamente a Europa.
Primeiros efeitos
Esse era o cenário quando o o BNP Paribas Investment Partners --divisão do banco francês BNP Paribas-- congelou, em agosto do ano passado, cerca de 2 bilhões de euros dos fundos Parvest Dynamic ABS, o BNP Paribas ABS Euribor e o BNP Paribas ABS Eonia. A alegação do banco era de preocupações sobre os pagamentos de crédito "subprime" nos EUA.
Diante dessa medida, o mercado imobiliário reagiu com pânico. Gigantes do setor hipotecário, como a American Home Mortgage (AHM), uma das 10 maiores empresa do setor de crédito imobiliário e hipotecas dos EUA, pediu concordata. A Countrywide Financial, outra gigante do setor, teve de ser comprada pelo Bank of America.
Citigroup, UBS, Bear Stearns e outros grupos financeiros de escala global perderam bilhões com os papéis ligados a hipotecas "subprime".
Um ano depois
A crise, longe de perder fôlego, teve suas forças renovadas em setembro deste ano. As gigantes hipotecárias americanas Fannie Mae e Freddie Mac deram sinais de que poderiam quebrar. Com quase a metade dos US$ 12 trilhões em empréstimos para a habitação nos EUA em seus registros, o Departamento do Tesouro interveio para evitar o pior: anunciou uma ajuda de até US$ 200 bilhões.
O Lehman Brothers, no entanto, foi deixado à própria sorte: afetado pelas perdas com a crise dos "subprime", o banco viu malograrem tentativas de encontrar um comprador e de levantar fundos junto a outras instituições privadas para tocar suas operações financeiras. Mesmo o governo negou um empréstimo. No último dia 15, a solução encontrada pelo banco foi pedir concordata.
Ao fim do Lehman se seguiram a venda do Merrill Lynch ao Bank of America; a ajuda de US$ 85 bilhões à seguradora AIG, também sob risco de quebrar por falta de fontes de captação de empréstimos; a quebra do banco do segmento de empréstimos em poupança ("savings & loans") Washington Mutual (WaMu) --no que, segundo analistas, foi a maior falência de um banco nos Estados Unidos--; e a venda do Wachovia, quarto maior dos EUA, que anunciou a fusão com o Wells Fargo, em uma operação de US$ 15,1 bilhões em troca de ações.
Os problemas do Wachovia têm boa parte de sua origem na aquisição da companhia hipotecária Golden West Financial em 2006, por cerca de US$ 25 bilhões, quando o mercado imobiliário ainda estava em um momento de euforia. Com a compra, o Wachovia assumiu US$ 122 bilhões em hipotecas do tipo 'Pick-A-Payment', na qual a Golden West era especialista. Nessa modalidade, os mutuários tinham permissão para deixar de fazer alguns pagamentos.
Combate
Para combater a onde de quebradeira entre as instituições financeiras e acalmar o mercado, o Congresso dos EUA aprovou o plano de ajuda de US$ 700 bilhões. A aprovação coloca na mão do secretário do Tesouro, Henry Paulson, dinheiro para tentar reverter a crise que abala o mercado financeiro mundial.
O plano do governo americano é usar os US$ 700 bilhões para comprar um artigo conhecido por um nome pouco atraente: títulos "podres", ou papéis cujo resgate é muito improvável --conseqüentemente, cujo risco de calote é alto. A maioria destes ativos são ligados justamente às hipotecas "subprime" (de alto risco).
Antes de ser aprovada, a proposta de Bush foi bastante modificada pelos senadores e deputados. A versão incluiu no plano mais US$ 150 bilhões em corte de impostos, benefícios fiscais para a classe média, pequenos empresários e famílias atingidas por acidentes naturais.
Além disso, o pacote limita os poderes do Executivo para gerir o pacote, estreita a vigilância sobre a aplicação dos recursos e reduz os pagamentos milionários aos grandes executivos por trás das instituições financeiras que quebraram.
Antes do pacote bilionário, um outro pacote de estímulo foi aprovado em fevereiro e surtiu algum efeito, com o envio de cheques de restituições aos contribuintes. O dinheiro extra favoreceu os gastos dos consumidores entre abril e julho, o que se refletiu nos dados do PIB (Produto Interno Bruto). No segundo trimestre, a economia cresceu 2,8% (ligeiramente menor que os 3,3% em um cálculo prévio). Analistas dizem, no entanto, que, sem o benefício do dinheiro extra, nos próximos trimestres o desempenho econômico americano deverá ser inferior.
subsidios para a discussão sobre a crise.
A Geografia Econômica é o estudo da localização, distribuição e organização espacial das atividades econômicas na Terra. A geografia econômica está focada na: - localização de indústrias e atividades comerciais no atacado e verejo; - em rotas comerciais e de transporte; e nas mudanças de valor do mercado imobiliário. Cursos em geografia econômica podem abrangir tópicos como transporte, agricultura, localização industrial, comércio internacional, e a organização espacial e funções das atividades de negócios. Áreas de Estudo A economia de uma área geográfica pode ser influenciada pelo clima, pela geologia, e pelos fatores político-sociais. A Geologia pode afetar a disponibilidade de recursos, o custo de transporte e as decisões sobre o uso da terra. O clima pode influenciar a disponibilidade de recursos naturais (particularmente os produtos agrícolas e florestais), e as condições de trabalho e produtividade. As instituições político-sociais que são únicas para uma região têm, também, impacto nas decisões econômicas. Os pesquisadores em geografia econômica focam seus estudos em aspectos espaciais das atividades econômicas em várias escalas. A distância da cidade (ou Distrito Central de Negócios) como um mercado com damanda para diversos produtos tem papel significativo nas decisões econômicas das empresas, enquanto outros fatores como acesso ao mar (portos marítimos), ou a presença de materia prima como petroleo afetam as condições econômicas dos países. Singapura, por exemplo, ocupa uma posição chave como um porto maritmo, enquanto a riqueza da Arábia Saudita depende em praticamente tudo do Petróleo. No mundo atual a localização, distribuição e caracter das atividades econômicas é muito influenciada pela globalização. Os estados e suas fronteiras representam papéis menos significativos, já que muitos países tendem a eliminar os efeitos das divisões territoriais e estreitar acordos de cooperação mutua com outros países em regiões adjacentes. Um exemplo importante e bastante conhecido mundialmente é a Uniao Européia. Além desta, existem também o MERCOSUL, na América Latina. Abordagem de Estudo * Geografia Econômica Teórica enfatiza a construção de teorias sobre arranjos espaciais e distribuição das atividades econômicas. * Geografia Econômica Histórica examina a história e o desenvolvimento espacial da estrutura econômica. * Geografia Econômica Regional examina as condições econômicas de determinadas regioes ou países, lidando também com o processo de regionalização econômico. Subdivisão A geografia econômica pode ser sub-dividida nas seguintes disciplinas: * Geografia Agrícola * Geografia Industrial * Geografia dos Serviços * Geografia dos Transportes * outros Porém, suas áreas de estudo podem se sobrepor, ou ser avaliadas individualmente. Ellsworth Huntington, professor do Departamento de Economia da Universidade de Yale no começo do século XX, notou que regiões frias como os EUA, as Ilhas Britâncias, Europa e Japão tinham uma performance econômica superior à de países tropicais, fenômeno ao qual chamou de "paradoxo tropical". Huntington associava as diferenças de performance às diferenças climáticas. Muitos economistas ficaram inconformados com esta idéia. De acordo com Huntington, a influência do clima na performance econômica também podia ser verificada nas estruturas políticas. Estados tropicais tendem a ter uma história política instável. Outros fatores que afetam a performance econômica deste modelo é o acesso ao oceano e a presença de materiais raros como o petróleo. Cingapura, por exemplo, ocupa uma posição chave como entreposto marítimo, enquanto a riqueza da Arábia Saudita depende inteiramente do Petróleo. François Perroux, em 1950, propõe uma reflexão sobre o espaço econômico. Estabelece uma estrutura onde o primeiro nível é composto pelas realidades físicas; o segundo trata da sociedade e da economia, fala das empresas e destaca a existência de redes; o terceiro é pscicológico: os homens se projetam mentalmente no futuro, as empresas elaboram projetos, a região não é somente uma realidade presente. Perroux é quem introduz a dimensão pscicológica. (CLAVAL,2002. in "Elementos de Epistemologia da Geografia Contemporãnea", Editora UFPR)
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
A crise americana e a Geografia
mande suas considerações , textos e análises.
-------------------------------------------------------------------------------------------
membro do Centro Acadêmico da FG
Estamos vivenciando um momento de crise na qual pode ser a maior de todos os tempos ,
entendemos que a Geografia deve estar na vanguarda desta analise tendo em vista que a sua preocupação gira em torno deste espaço humano e físico ,e seus agentes.
Neste atual estagio da sociedade , vivenciamos o período técnico-científico-informacional que toma conta da humanidade, manifestado principalmente pela chamada “revolução Digital”.
E por que a sociedade está em crise? E o que a Geografia tem a ver com ela?
“desigualdades fruto da ótica capitalista em que ele se estriba para organizar uma nova ordem econômica hedonista e materialista; ordem essa, cujos reflexos cabe à Geografia, não só analisar mas tentar das soluções uma vez que o ápice dessa crise se situa no urbano, que congrega a maior parcela da população mundial; daí a ascensão do conceito de cidade global, como catalisadora de todas as expectativas da sociedade mundial. Esta cidade global é o fulcro de um novo sistema que poderá vigorar num futuro próximo — o espaço em redes. Para o espaço em redes (também já previsto por Milton Santos, na década de 1980), essas cidades são a interligação do virtual com o geográfico, dando a Internet a sua territorialidade ”.(Elian Alabi Lucci -Diretor da Associação dos Geógrafos)
Esta ótica capitalista do mundo o coloca como palco de produção de riqueza para apenas uma classe , e tendo em vista a mundialização destes processos ,obtemos a ampliação também das crises geradas pelo sistema.
A afirmação de Milton Santos a respeito de Fluxos e fixos, nos faz cada vez mais presente ao ponto que obtemos uma rede de informação com mais facilidade ( a de se pontuar que acesso a informação não significa geração de conhecimento),mais não conseguimos destravar e aflorar a pluralidade dos agentes que constituem o Espaço , e fato este que só será possível quando esta mundialização colocar como ponto regulamentador de sua ações o aspecto local e sua interatividade com o global.
A crise econômica americana também conhecida como crise do crédito vem nos mostrar em que estágio se organiza atualmente o espaço de fluxos.
Este espaço de fluxo, segundo Milton Santos pode ser descrito pela combinação de três camadas de suportes materiais, que juntas constituem este espaço.
A primeira camada, é o primeiro suporte material do espaço de fluxos ,(microeletrônica, telecomunicações, processamento computacional, sistemas de transmissão e transporte em alta velocidade), podemos relacionar com a noção de revolução digital e todo movimento de comunicação que assistimos atualmente.
E isto juntamente com bases materiais acabam definindo regiões econômicas , com isso os lugares são tomados por um movimento de banalização onde são absorvidos pela lógica desta camada, lógica esta que deu e continua fornecendo subsídio para o modelo global econômico , podemos relacionar com a semelhança visual nos modelos verticais ou até mesmo no modelo de locais de consumo.
A segunda camada estabelece a relação das redes de comunicação , definida em lugares específicos ,ou seja os mecanismos de comunicação fixam em lugares difrentes com condicionantes sociais e culturais diferentes, mais tem inserido em sua lógica de materialização fisica um padrão único , que hoje podemos definir como cidades globais.
E terceira camada é a organização material das práticas sociais, que está ligada as estruturas sociais dominantes, práticas sociais estas que podem ser vista no modelo de econômico que temos hoje , um padrão ocidental de consumo, uma planificação global do ponto de vista de localização de riqueza , e uma destribuição no mercado global , ou seja a produção que alcança todos os lugares, mesmo que seja pelo meio técnico - informacional.
Com isso temos uma crise de um capital abstrato (crédito) que pode ser relacionado com a terceira camada deste espaço de fluxos, que tem a função de articular o espaço direcionado por uma elite gerencial dominante.
Este capital abstrato assume o papel de articular o espaço , o alterando os fixos , que nas correntes do pensamento econômico é chamado de vetor de cresimento , e adotado atualmente no pelo governo lula , exemplo disso é o programa aceleração do crescimento , onde previlegia o crédito para vetores , e isso pode ser observado especificamente no atual mercado imobiliário, ou até mesmo numa outra escala , é só pegarmos os indíces da construção civíl atual , e a relação que existe com o crédito de compra destes imóveis.
Em síntese esta crise nos mostra o papel fundamental da analise Geográfica e sua capacidade de articular fixos e fluxos , e como a ideologia do progresso se mistura a esse atual modelo de crescimento , onde os fluxos abstratos são movimentados para o consumo e alteração dos fixos , criando vetores que geram crescimento e não desenvolvimento, e ainda mais anulando o aspecto antropológico das localidades , ou seja a imposição de um padrão global em localidades que não carregam o mesmo traço.
O atual modelo imobiliário verticaliza o espaço , e mais específicamente os edifícios fixados estabele nos lugares uma lógica em torno deste edifícios , desde a circulação de mão de obra, comércio e até mesmo o impacto de veículos em torno do modelo vertical .
Isto anula este agente social ao ponto que o combate a hegemonia deste fluxos deve estar ligado as resistências locais , pois o Espaço dos fluxos criou nas cidades globais o modelo cosmopolitas ,mais as elites são cosmopolitas , enquanto as pessoas são locais.
Contudo a Geografia vem ajudar a teoriza e decifrar essa multiplicidade do espaço ao ponto que descreve empiricamente todas ações sociais em interação com o espaço.
Neste sentido as comunidades locais são a base para a resistência contra um processo de mundialização que cada vez mais nos mostra falhos e perverso , crise após crise .
Bibliografia
SANTOS, Milton. Técnica, espaço, tempo: globalização e meio técnico-científico-informacional. São Paulo, Hucitec, 1994.
LUCCI, Elian A. et al (org). Milton Santos: cidadania e globalização. São Paulo, Saraiva/AGB-Bauru/UNESP-Bauru/SINPRO, 2000.
http://www.hottopos.com/mirand13/elian.htm
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Dois milhões de jovens vão à escola sem saber ler e escrever, mostra IBGE
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
Mesmo dentro de sala de aula, os brasileiros ainda não conseguiram transpor uma barreira que mantém o Brasil distante de países desenvolvidos: o analfabetismo. Há 2,1 milhões de crianças entre 7 e 14 anos no país que, embora freqüentem a escola, continuam analfabetas. É o que mostra a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgada nesta quarta-feira.
O estudo revela que 87,2% das crianças e adolescentes entre 7 e 14 anos que não sabem ler e escrever --2,1 milhões- freqüentavam a escola regularmente em 2007. E uma minoria deles estava com os estudos atrasados: apenas um quarto dos estudantes do ensino fundamental tinha mais de dois anos acima da idade recomendada para a série que estudava.
A taxa de analfabetismo entre os que estudam contrasta com a freqüência escolar dos jovens entre 7 e 14 anos, que alcançou 97,6% em 2007. Um nível considerado "praticamente universalizado" pelo IBGE.
"O acesso à rede de ensino está se universalizando [...]. No entanto, ainda persistem problemas associados à eficácia escola", diz texto da Síntese de Indicadores Sociais, feita com base em cruzamentos de dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2007, divulgada semana passada pelo IBGE.
Para os pesquisadores, a contradição revela falhas na qualidade de ensino e pode ter como causa o sistema de aprovação automática em escolas.
Na média brasileira, a taxa de analfabetismo foi de 10,5% da população, ou 14,1 milhões de pessoas, como havia revelado a Pnad. O índice é menor que o de uma década atrás --em 1997, havia 15,9 milhões de analfabetos, segundo o IBGE. Mas ainda não alcançou patamares como os da China (7,1%) e Rússia (0,6%), que dividem com o Brasil lugar nos Brics (grupo de países emergentes formado também pela Índia), segundo a pesquisa.
A taxa brasileira, como mostrou a Pnad semana passada, também é uma das piores da América Latina e está atrás de países como Bolívia, Suriname e Peru.
Cageo - Walerie - 2º ano/Geografia
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Projeto britânico quer produzir comida e energia em deserto
Uma equipe de engenheiros e arquitetos baseados em Londres está combinando tecnologias para transformar imensas áreas desérticas em terrenos férteis com capacidade de produzir comida, água limpa e fontes alternativas de energia.
O Sahara Forest Project (Projeto Floresta Sahara) consiste em construir lado a lado estufas onde seria possível obter água limpa e cultivar alimentos, e painéis espelhados gigantes que captariam raios solares para gerar eletricidade.
A iniciativa combina tecnologias criadas pela empresa Seawater Greenhouse, que cultiva plantações em estufas instaladas em áreas áridas, e por arquitetos e engenheiros que desenvolveram uma técnica conhecida como Concentrated Solar Power (Energia Solar Concentrada, em tradução livre).
O criador da Seawater Greenhouse, Charlie Paton, explica que a técnica consiste em instalar evaporadores na entrada da estufa que convertem a água do mar em vapor. O vapor resfria a temperatura dentro do local em até 15 graus e favorece o crescimento da lavoura.
Do outro lado da estufa o vapor é condensado, transformando-se em água limpa que serve para regar as plantações.
Segundo Paton, a quantidade de água obtida é cinco vezes maior do que a necessária para molhar as plantas, produzindo um excedente que pode ser usado para mover turbinas acopladas aos painéis que captam a energia solar, gerando energia.
De acordo com os criadores do Sahara Forest Project, em fase de testes em Tenerife, Omã e Emirados Árabes Unidos, a iniciativa terá potencial para produzir comida e eletricidade que serão consumidas por moradores locais.
A energia também poderia ser enviada para a Europa por meio de um conversor.
Com o excedente de água ainda seria possível cultivar pinhão manso, uma planta que serve de base para produzir biodiesel e que se adapta bem às terras desérticas.
Os criadores do projeto dizem que a iniciativa poderá ser uma ferramenta importante para combater a desertificação e trará múltiplos benefícios, como “grandes quantidades de energia renovável, comida e água".
Na simulação, estufas e painéis solares instalados no deserto
produzem alimentos e geram energia
Walerie – 2º ano Geo - Figuinha
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
SP limita programa de bônus da USP para escola pública
FÁBIO TAKAHASHI
FERNANDA CALGARO
da Folha de S.Paulo
A Secretaria Estadual de Educação de São Paulo limitou um programa da USP que prevê bônus (pontos extras) no vestibular aos alunos provenientes das escolas públicas.
O programa anunciado pela USP previa a aplicação de provas aos alunos nos três anos do ensino médio público (avaliação seriada), que, somadas, renderiam bônus de até 3% na nota aos alunos no vestibular. A implantação seria gradativa até 2011, começando neste ano pelos alunos do 3º ano do ensino médio (antigo 3º colegial).
A gestão José Serra (PSDB), porém, decidiu que a edição deste ano será "experimental", ou seja, o programa poderá não se repetir já em 2009. Além disso, limitou o exame ao 3º ano.
Segundo a Folha apurou, a secretaria considerou apressada a forma como a universidade anunciou o programa --sem que estivesse totalmente definido com a pasta. Também houve discordância com relação a questões pedagógicas.
A divulgação foi feita em abril deste ano, mas a proposta só foi formalmente encaminhada à secretaria em julho.
A decisão do governo de não aplicar a prova nos três anos do ensino médio é apoiada pelo Conselho Estadual de Educação. Parecer do órgão elaborado pela professora da USP Eunice Durham diz que "a principal objeção (...) reside no fato de que fortalece a tendência a se organizar todo o ensino médio em função do vestibular, ignorando sua função de formação geral para a vida".
O parecer fala ainda em "tramitação tumultuada" da USP. O texto, aprovado no último dia 3, diz que as "iniciativas resultaram em grande pressão para a rápida tramitação do projeto, a fim de se convalidarem as iniciativas que já vinham sendo tomadas".
Procurada para comentar o assunto, a secretária da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, disse, por meio de sua assessoria, apenas que o programa será realizado em "caráter experimental".
"Quase insignificante"
O aumento da proporção de alunos de escolas públicas aprovados no vestibular é uma das principais bandeiras da reitora da USP, Suely Vilela. A rede estadual representa 85% das matrículas, mas menos de 26% dos aprovados no exame.
O argumento da USP para propor exames para o bônus nos três anos do ensino médio é o de diluir a pressão para a aprovação no vestibular.
A implantação do projeto de bônus, da forma como foi aprovado pelo governo, custará R$ 1,760 milhão, metade para o Estado, metade para a USP. À secretaria também caberá ceder as salas para aplicar a prova.
Apesar da decisão do governo de fazer a prova só neste ano, até ontem o site da USP sobre o programa dizia que "a partir de 2010 e 2011, o Pasusp [nome do programa] será implantado progressivamente nas outras séries [do ensino médio]".
O parecer do conselho de educação critica também a eficácia das medidas já implantadas pela USP para aumentar os egressos da rede pública na universidade, como um outro bônus, também de 3%, automático para todos da rede pública.
Segundo o relatório, 0,67% dos formados no ensino médio público foram aprovados no vestibular 2006/2007 da USP, proporção que caiu para 0,66% no ano seguinte. O texto diz que "a contribuição da USP para absorção do ensino médio público é quase insignificante".
Outro lado
A USP afirmou que ainda há a possibilidade de a avaliação seriada ser estendida a todo o ensino médio. Após anunciar que o projeto cobriria todo o antigo colegial até 2011, agora a escola diz que a edição deste ano é uma "experiência-piloto".
Em resposta enviada por e-mail à Folha, a pró-reitora de graduação, Selma Garrido Pimenta, disse que, "após os estudos dessa primeira etapa do programa, decidir-se-á sobre a sua continuidade e aperfeiçoamentos. As formas e as parcerias também serão avaliadas. Quaisquer que sejam, os compromissos da USP com os objetivos do programa permanecerão e serão buscados os meios para efetivá-los".
Sobre o fato de o convênio com a secretaria contemplar apenas a aplicação da prova neste ano, Pimenta disse que "a regra geral de convênios reza que estes devem ser firmados conforme o ano civil".
Sobre as críticas de que a USP se apressou na divulgação do programa, a pró-reitora respondeu que a proposta havia sido recebida "com muito entusiasmo" pela secretaria. E que o "cuidado (...) marca as características, a seriedade e os compromissos da USP em todas as suas atividades acadêmicas, em especial no que se refere a políticas públicas".
Sobre os resultados do programa de inclusão, disse apenas que as análises "já foram divulgadas". Em outras ocasiões, a escola afirmou que evitou que caísse o número de alunos da rede pública na USP, atraídos pelo Prouni (programa federal de bolsas a alunos).
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Como vencer a pobreza e a desigualdade
UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - RJ
'PÁTRIA MADRASTA VIL'
Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência... Exagero de escassez... Contraditórios?? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.
Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.
O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada - e friamente sistematizada - de contradições.
Há quem diga que 'dos filhos deste solo és mãe gentil.', mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil.
A minha mãe não 'tapa o sol com a peneira'. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.
E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra... Sem nenhuma contradição!
É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!
A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão.
Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta - tão confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)... Mas estão elas preparadas para isso?
Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.
Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?
Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos...
Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente... Ou como bicho?
Premiada pela UNESCO, Clarice Zeitel, de 26 anos, estudante que termina faculdade de direito da UFRJ em julho, concorreu com outros 50 mil estudantes universitários.
Ela acaba de voltar de Paris, onde recebeu um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) por uma redação sobre 'Como vencer a pobreza e a desigualdade'.
A redação de Clarice intitulada `Pátria Madrasta Vil´ foi incluída num livro, com outros cem textos selecionados no concurso. A publicação está disponível no site da Biblioteca Virtual da Unesco.
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Asteróide gigante deformou superfície de Marte. Cratera que abrange um hemisfério inteiro retrata origem violenta do Sistema Solar
por JR Minkel
O veículo Phoenix, que pousou em Marte em 25 de maio tem sido alvo de noticiários nos últimos meses, mas um novo estudo realizado na Terra revelou uma descoberta surpreendente. O Planeta Vermelho parece ter sido vítima de um choque massivo há mais de quatro bilhões de anos. Esta foi a conclusão, a que chegaram pesquisadores que finalmente mapearam as bordas do que é conhecido como ´dicotomia hemisférica marciana´.
Esse aspecto do relevo marciano ─ no qual a espessura da crosta cai de 50 para 20 quilômetros ─ é a característica mais visível da paisagem de Marte. Conhecida pelos astrônomos há mais de 30 anos é atribuída ao impacto de um asteróide que lançou no espaço parte da crosta nessa área.
No entanto, os cientistas não podiam afirmar com certeza, porque a forma exata da dicotomia não era bem determinada: Pelo menos um terço de suas bordas estavam ocultas sob uma espessa camada de rocha vulcânica de 30 quilômetros de altura ─ o segundo maior aspecto do relevo de Marte ─ conhecido como soerguimento de Tharsis.
Para revelar as verdadeiras bordas da dicotomia, pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, em Pasadena, Califórnia, utilizaram dados geológicos para investigar as estrutura da crosta baixo de Tharsis.
Dados topográficos foram combinados com variações de massa identificadas através de diferenças na força gravitacional da superfície, em busca de evidências de alterações na massa sob Tharsis.
A análise revelou uma forma arredondada, um pouco alongada medindo cerca de 10.600 por 8.500 quilômetros e cobrindo 42% do planeta. O grupo denominou-a de bacia Borealis.
“Há basicamente, apenas um processo conhecido que poderia produzir uma depressão elíptica tão grande… é um processo de impacto gigante,” adverte o cientista planetário do MIT, Jeffrey Andrews-Hanna, autor principal do artigo publicado na revista Nature.
Um complicador muito antigo, que não se ajusta à idéia de asteróide, é o fato de que um asteróide teria deixado uma cratera ou bacia de impacto circular, e a dicotomia parece ter uma forma elíptica. De acordo com um segundo estudo também publicado na Nature, mesmo o impacto de um asteróide poderia ter produzido essa forma.
Um outro grupo do California Institute of Technology (Caltech), em Pasadena e da University of California, em Santa Cruz, simularam o efeito de impactos produzidos com diferentes energias, velocidades e ângulos de chegada na crosta de Marte.
Eles verificaram que a forma recém-revelada da dicotomia coincidia com uma cratera de impacto de um asteróide com 1.600 a 2.700 quilômetros de comprimento, deslocando-se a uma velocidade de 6 a 10 km/s e chocando-se com o solo num ângulo entre 30º e 60º, sendo o ângulo de 45º o mais provável.
O estudo também joga água fria em uma segunda objeção à hipótese de impacto: os cientistas acreditavam que rocha derretida devido ao calor do impacto violento poderia ter simplesmente preenchido a bacia, apagando qualquer sinal de impacto. De acordo com nova simulação, o corpo colisor teria ejetado parte suficiente da crosta para deixar sinais de depressão.
Uma outra avaliação consistente de uma segunda simulação publicada pela Nature relata que reverberações através da crosta produzidas pela colisão, poderiam ser responsáveis por uma diminuição do magnetismo do solo marciano no lado do planeta oposto à dicotomia.
A hipótese de Marte ter sido atingido por um asteróide não era provável: crateras que pontilham os planetas internos e suas luas no Sistema Solar indicam que rochas espaciais se chocaram como bolas de bilhar quando os planetas ainda eram jovens. Um exemplo é o caso da Lua que pode ter se formado quando um objeto com as dimensões de Marte colidiu com a jovem Terra.
Esses novos estudos alimentaram a idéia excêntrica de que um impacto teria produzido a dicotomia, avaliam os cientistas planetários Walter Kiefer do Instituto Planetário e Lunar, em Houston. O próximo passo a seguir, segundo Kiefer, será procurar nas rochas marcianas diferenças químicas que indiquem que a crosta ─ na região da dicotomia ─ possa conter materiais presentes em partes bem profundas do manto e que foram soerguidas após o impacto.
O tipo de asteróide necessário para formar a dicotomia poderia se encaixar nas dimensões de rochas que formaram outras grandes crateras, como a bacia de impacto Aitken ─ no pólo sul da Lua e a bacia Hellas, no hemisfério Sul de Marte, ambas com mais de 2.000 quilômetros de extensão.
Embora os habitantes da Terra ainda enfrentem a ameaça de choques com asteróides mortos, pesquisadores afirmam que impactos superintensos ─ como o que provocou a dicotomia marciana ─ desapareceram há muito tempo, deixando somente cicatrizes para contar sua história.
“O Sistema Solar primordial era um lugar muito perigoso,” comenta Andrews-Hanna, “mas se não tivéssemos impactos, os planetas não seriam como são.”
Walerie – 2º ano – Geografia - Figuinha
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Informação importante para os professores em atividade....
IGOR GIANNASI
colaboração para a Folha de S.Paulo - 24/08/2008 - 09h09
Chega sexta-feira e a professora de inglês Sônia Ferreira, que dá aula há 15 anos, percebe que a sua voz não é mais a mesma. A sensação de falar "mais grosso" é comum após uma semana dividida entre um colégio e uma escola de idiomas.
As alterações vocais são rotina para boa parte das professoras, indica um estudo realizado em conjunto pela UFBA (Universidade Federal da Bahia) e pela UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana), publicado em junho.
Das 747 professoras da rede municipal de ensino de Vitória da Conquista (BA) entrevistadas, 59,2% sentiram rouquidão nos seis meses anteriores.
Foi constatado ainda que 12,9% das professoras já haviam desenvolvido nódulos (popularmente chamados de calos) nas cordas vocais.
As complicações de voz encontradas no estudo são representativas do que acontece entre as docentes no país, segundo Eduardo Reis, professor do Departamento de Medicina Preventiva da UFBA.
Para ele, isso prejudica não só a saúde mas também o desempenho do profissional. "Se o instrumento de trabalho está ruim, o trabalho também está."
Classes lotadas e barulhos externos contribuem para que o profissional exceda o uso da voz. "É comum o professor competir com o ruído da escola", diz a fonoaudióloga Carolina Fanaro Damato, presidente da comissão de divulgação do Conselho Regional de Fonoaudiologia de São Paulo.
Novos hábitos
A professora de inglês Sônia Ferreira começou recentemente um tratamento fonoaudiológico. "Agora presto atenção no que estou fazendo com a minha voz", diz ela, que tenta não falar alto e bebe líquidos na aula.
Essa consciência, porém, não é comum entre os docentes, aponta Leslie Piccolotto Ferreira, professora do Departamento de Fundamentos da Fonoaudiologia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).
"O professor é um dos profissionais que mais demoram a procurar tratamento. Acha que é natural estar daquele jeito", observa a fonoaudióloga.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Google investirá US$ 10 milhões em energia geotérmica
da Efe, em Los Angeles
A empresa de tecnologia Google anunciou ontem (19) que investirá US$ 10,25 milhões em tecnologia para produzir energia geotérmica, como parte de seu plano para reduzir os custos de obtenção de eletricidade de fontes renováveis.
A divisão filantrópica da empresa, Google.org, revelou que o investimento terá como objetivo incentivar os sistemas geotérmicos (EGs), pelos quais se obtém vapor para movimentar uma turbina ao passar água por uma zona subterrânea a altas temperaturas.
"Os EGS poderiam ser uma aplicação definitiva para a produção energética no mundo. Têm o potencial de gerar vastas quantidades de energia de forma constante, e podem ser obtidos em quase qualquer lugar do planeta", disse Dan Reicher, diretor de Iniciativas de Clima e Energia da Google.org.
Os fundos serão aplicados ao desenvolvimento de instrumentos mais precisos para localizar os recursos geotérmicos, ferramentas para obter mais informação sobre os EGS e incluir a energia geotérmica na agenda política.
Um estudo recente do MIT (Instituto Tecnológico de Massachusetts) revelou que somente 2% do calor existente sob os Estados Unidos a uma profundidade entre 3 e 10 quilômetros cobriria em mais de 2.500 vezes a necessidade de consumo energético anual do país.
"Os EGS são críticos para que se produza a revolução de eletricidade limpa que necessitamos para solucionar a crise climática, mas não receberam suficiente atenção. Por isso, estamos pressionando para aumentar o apoio do governo e o investimento privado", comentou Reicher.
No ano passado, o Google prometeu que planeja gastar milhões de dólares para ajudar a reduzir os custos derivados da produção elétrica de fontes de energias renováveis abaixo do preço das atuais usinas poluentes, para tornar competitiva a energia limpa. A empresa centrou seu plano nas tecnologias solar, térmica e eólica.
Até o momento, a Google.org já investiu em uma central de energia solar e em outra de energia eólica na Califórnia.
Energia geotérmica
Princípio do uso da energia geotérmica
Energia geotérmica ou energia geotermal é a energia obtida a partir do calor proveniente da Terra, mais precisamente do seu interior. Devido a necessidade de se obter energia elétrica de uma maneira mais limpa e em quantidades cada vez maiores, foi desenvolvido um modo de aproveitar esse calor para a geração de eletricidade. Hoje a grande parte da energia elétrica provém da queima de combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão mineral, métodos esses muito poluentes.
Para que possamos entender como é aproveitada a energia do calor da Terra devemos primeiramente entender como nosso planeta é constituído. A Terra é formada por grandes placas, que nos mantém isolados do seu interior, no qual encontramos o magma, que consiste basicamente em rochas derretidas.
Histórico
A primeira tentativa de gerar eletricidade de fontes geotérmicas se deu em 1904 em Larderello na região da Toscana, na Itália. Contudo, esforços para produzir uma máquina para aproveitar tais fontes foram mal sucedidos pois as máquinas utilizadas sofreram destruição devido a presença de substâncias químicas contidas no vapor. Já em 1913, uma estação de 250 kW foi produzida com sucesso e por volta da Segunda Guerra Mundial 100 MW estavam sendo produzidos, mas a usina foi destruída na Guerra.
Por volta de 1970, um campo de gêiseres na Califórnia estava produzindo 500 MW de eletricidade. A exploração desse campo foi dramática, pois em 1960 somente 12 MW eram produzidos e em 1963 somente 25 MW. México, Japão, Filipinas, Quénia e Islândia também têm expandido a produção de eletricidade por meio geotérmico.
Na Nova Zelândia o campo de gases de Wairakei, na Ilha do Norte, foi desenvolvido por volta de 1950. Em 1964, 192 MW estavam sendo produzidos, mas hoje em dia este campo está acabando.
Portugal conta com uma moderna central geotérmica em funcionamento na Ilha de São Miguel, Açores, isto para além outra mais antiga, e está a ser acabada uma nova na Ilha Terceira, Açores .
Fontes de energia geotérmica
Rocha seca quente
Quando não existem gêiseres, e as condições são favoráveis, é possível "estimular" o aquecimento d'água usando o calor do interior da Terra. Um experimento realizado em Los Alamos, Califórnia[1], provou a possibilidade de execução deste tipo de usina. Em terreno propício, foram perfurados dois poços vizinhos, distantes 35 metros lateralmente e 360 metros verticalmente, de modo que eles alcancem uma camada de rocha quente. Em um dos poços é injetada água, ela se aquece na rocha e é expelida pelo outro poço, onde há uma usina geotérmica instalada. O experimento de Los Alamos é apenas um projeto piloto e não gera energia para uso comercial. A previsão de duração desse campo geotérmico é de dez anos.
Rocha úmida quente
Também é possível perfurar um poço para que ele alcance uma "caldeira" naturalmente formada — um depósito de água aquecido pelo calor terrestre. A partir daí, energia elétrica é gerada como em todos os outros casos.
Vapor seco
Em casos raríssimos pode ser encontrado o que os cientistas chamam de fonte de "vapor seco", em que a pressão é alta o suficiente para movimentar as turbinas da usina com excepcional força, sendo assim uma fonte eficiente na geração de eletricidade. São encontradas fontes de vapor seco em Larderello, na Itália e em Cerro Prieto, no México.
Vantagens e desvantagens
Gêiser energia proveniente da Terra
Aproximadamente todos os fluxos de água geotérmicos contém gases dissolvidos, sendo que estes gases são enviados a usina de geração de energia junto com o vapor de água. De um jeito ou de outro estes gases acabam indo para a atmosfera. A descarga de ambos vapor de água e CO2 não são de séria significância na escala apropriada das usinas geotérmicas.
Por outro lado, o odor desagradável, a natureza corrosiva, e as propriedades nocivas do ácido sulfídrico (H2S) são causas que preocupam. Nos casos onde a concentração de ácido sulfídrico (H2S) é relativamente baixa, o cheiro do gás causa náuseas. Em concentrações mais altas pode causar sérios problemas de saúde e até a morte por asfixia.
É igualmente importante que haja tratamento adequado a água vinda do interior da Terra, que invariavelmente contém minérios prejudiciais a saúde. Não deve ocorrer simplesmente seu despejo em rios locais, para que isso não prejudique a fauna local.
Quando uma grande quantidade de fluido aquoso é retirada da Terra, sempre há a chance de ocorrer subsidência na superfície. O mais drástico exemplo de um problema desse tipo numa usina geotérmica está em Wairakei, Nova Zelândia . O nível do superfície afundou 14 metros entre 1950 e 1997 e está deformando a uma taxa de 0,22 metro por ano, após alcançar uma taxa de 0,48 metros por ano em meados dos anos 70. Acredita-se que o problema pode ser atenuado com re-injeção de água no local.
Há ainda o inconveniente da poluição sonora que afligiria toda a população vizinha ao local de instalação da usina, pois, para a perfuração do poço é necessário o uso de maquinário semelhante ao usado na perfuração de poços de petróleo.
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Desde a época do Pró-Álcool, nunca se falou tanto sobre etanol. Na década de 1970, o combustível foi a salvação da primeira grave crise energética enfrentada pelo Brasil. Aos poucos, o petróleo retomou seu posto e o pobre combustível tupiniquim foi relegado a uma quase nobre insignificância, já que um herói, mesmo que enfraquecido, nunca deixaria de ser um herói.
Naturalmente, tratava-se apenas do primeiro round. As reservas naturais de petróleo já começam a dar sinais de cansaço, o preço do barril se eleva a cada pregão das bolsas, o que eleva ainda mais o preço na bomba para o consumidor, que é quem paga a conta. Todas essas peças já comporiam um cenário mais que perfeito para o surgimento de uma via alternativa, mas não bastou. Com mudanças bruscas na temperatura do planeta e fenômenos naturais que assolam cidades inteiras, o meio ambiente dá sinais de que algo precisa mudar, e rápido.
Como em todas as histórias de bandidos e mocinhos, por diversas vezes o mocinho é interpretado como um oportunista, que lança mão da desgraça alheia para agregar valor ao seu poder. Com o etanol não poderia ser diferente. A bola da vez foi a crise dos alimentos. Declarações sem qualquer fundamentação técnica publicadas na imprensa mundial tentaram em vão fazer uma relação direta entre a produção de biocombustíveis e o aumento do preço dos alimentos.
Há inúmeros fatos que refutam completamente tais afirmações. Em primeiro lugar, há uma crescente demanda no consumo de alimentos, impulsionada por países como China e Índia, concomitante a um aumento da população mundial e a uma elevação de renda dos países emergentes. Para se ter uma idéia, nos últimos 200 anos a população mundial saltou de 957 milhões para 6,7 bilhões de pessoas. E a projeção é de que em 2050 o mundo tenha nada menos que 9 bilhões de habitantes. Com o crescimento populacional aumenta também o desafio de se produzir mais para alimentar tanta gente. Em 2001, por exemplo, a China consumia por ano 450 milhões de toneladas de cereais. No ano passado, esse número saltou para 513 milhões de toneladas.
Outro ponto que, sem dúvida, interfere nos custos dos alimentos é o preço do petróleo que, segundo analistas do setor, deve chegar em breve à casa dos US$ 200 o barril. A explicação é simples. O petróleo é utilizado como matéria-prima para grande parte dos combustíveis utilizados no maquinário agrícola, no transporte de alimentos e na produção de fertilizantes.
Talvez nem precisassem ser citadas as diversas barreiras tarifárias impostas aos mais variados insumos alimentícios em todas as partes do mundo. Ou seja, os custos para produção de alimentos tiveram uma grande elevação.
Entre tantas provas de que o etanol não é o vilão desta história, ouvi o mais interessante argumento dito por um produtor de biodiesel em um evento do qual participei em Nova Iorque. “Na Somália, por exemplo, um dos graves problemas é a falta de arroz. Até onde sabemos, hoje não há nenhum biocombustível sendo feito a partir do arroz, nem tampouco os biocombustíveis deslocam áreas de plantio de arroz”.
Tantos argumentos só justificam o que o mundo inteiro já viu. Hoje são consumidos em torno de 1 trilhão de litros de gasolina por ano. Se fossem adicionados ao combustível 25% de etanol, seria criado um mercado de 250 bilhões de litros de etanol ao ano. Para se ter uma idéia, hoje a produção brasileira representa menos de 25 bilhões de litros por ano. Contudo, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), 25% de toda a frota de veículos no mundo poderá ser movida a etanol até 2050.
Naturalmente, utilizar o argumento que incrimina o etanol de milho e o combustível da cana funcionaria como um belo susto àqueles que pensavam em investir maciçamente nesse setor. Mas essa argumentação durou pouco e não funcionou. Ao contrário, os investimentos externos nesse setor nunca foram tão intensos. De acordo com um estudo divulgado recentemente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os investimentos externos diretos nas atividades agrícolas cresceram mais que em outros setores da economia, como indústria e serviços. Nos últimos sete anos houve um aumento de 500%, de 2,3% para 13,8% do total de investimentos.
A vantagem do Brasil está latente, para quem tiver interesse em ver. O potencial do país pode conduzi-lo ao papel de um dos mais importantes players desse mercado — as projeções indicam que o país deve liderar o mercado. As condições são ideais em todos os sentidos. Maior fronteira agrícola do mundo, com terras férteis e vasta área para o cultivo, clima e relevo adequados, know-how que vem evoluindo desde o Brasil colonial e um forte aporte de investimentos externos.
O setor sucroalcooleiro no Brasil vem se preparando para um novo patamar de crescimento, com uma maior profissionalização na gestão das usinas, diversificação de investimentos como a co-geração de energia elétrica a partir do bagaço da cana-de-açúcar, busca constante por inovações tecnológicas no canavial, movimento de fusões e aquisições, abertura de capital, processo de governança corporativa, entre outras práticas que dão credibilidade ao mercado.
Fica claro, assim, que não se trata apenas de uma questão de evitar a fome mundial, mas de um verdadeiro pânico e contraataque diante da ameaça do biocombustível brasileiro. Para quem não acreditava no Brasil, observe os heróis e guerrilheiros angustiados com o canto do Macunaíma.
Por Marcelo Schunn Diniz Junqueira
site: www.biodiesel.br.com.br
terça, 26 agosto 2008
Walerie - Figuinha