sexta-feira, 10 de outubro de 2008

São Paulo concentra 28% da população e 40,5% do PIB do País

sexta-feira, 10 de outubro de 2008, 10:12 Online

Metrópole tem influência sobre todo o Brasil, o Estado, parte do Triângulo Mineiro, MS, MT, RO e AC

Jacqueline Farid, da Agência Estado

RJ - Com 28% da população e 40,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, a metrópole de São Paulo exerce influência em todo o País, principalmente no Estado de São Paulo, parte do Triângulo Mineiro e do sul de Minas, estendendo-se para Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia e Acre. As informações constam no estudo "Redes de Influência das Cidades 2007", divulgado na manhã desta sexta-feira, 10, pelo IBGE.

Segundo o IBGE, a rede de influência de São Paulo, que é a "Grande Metrópole Nacional" concentra, nos municípios que a compõem, cerca de 28,% da população brasileira e 40,5% do PIB de 2005. "A alta concentração/primazia se reflete no PIB per capita", que é de R$ 21,6 mil para São Paulo, e R$ 14,2 mil para os demais municípios do conjunto de 12 grandes centros urbanos (metrópoles) analisados.

Ainda de acordo com o estudo, existem no País 12 grandes redes de influência, que interligam até mesmo municípios situados em diferentes Estados, como é o caso de São Paulo. Entre os diversos dados comparativos coletados a respeito dessas 12 redes de influência, o estudo mostra que, para fazer compras, a população brasileira se desloca cerca de 49 km, em média. Revela também que, quando procura atendimento fora do município, a população desloca-se em média 54 km na busca por serviços de saúde.

Rio

O estudo mostra que o Rio de Janeiro tem projeção no próprio Estado do Rio, no Espírito Santo, em parcela do sul da Bahia, e na Zona da Mata de Minas Gerais, onde divide influência com Belo Horizonte. Essa rede conta com 11,3% da população do País e 14,4% do PIB nacional.

Já a população da rede de Brasília representa 2,5% da população do País e 4,3% do PIB nacional. A extensão dessa rede compreendendo o oeste da Bahia, alguns municípios de Goiás e do noroeste de Minas Gerais. Entre todas as redes, esta tem o mais alto PIB per capita, R$ 25,3 mil.

Os 12 centros identificados como metrópoles, ou seja, com rede de influência, são Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Goiânia.

O estudo do IBGE analisou informações fornecidas pela rede de agências do IBGE sobre 4.625 municípios, e registros administrativos do próprio instituto, de órgãos estatais e empresas. O objetivo é mostrar as redes formadas pelos principais centros urbanos do País, baseadas na presença de órgãos do Executivo, do Judiciário, de grandes empresas e na oferta de ensino superior, serviços de saúde e domínios de internet.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

entenda a crise.



fonte : folha.com.br

O mercado imobiliário dos EUA passou por uma fase de expansão acelerada logo depois da crise das empresas "pontocom", em 2001. O Federal Reserve (Fed, o BC americano) passou a reduzir sua taxa de juros, a fim de baratear empréstimos e financiamentos e encorajar consumidores e empresas a voltarem a gastar.
O setor imobiliário se aproveitou desse momento de juros baixos: a demanda por imóveis cresceu, atraindo compradores. Em 2003, por exemplo, os juros do Fed chegaram a cair para 1% ao ano --menor taxa desde o fim dos anos 50.
Em 2005, o "boom" no mercado imobiliário já estava avançado; comprar uma casa (ou mais de uma) tornou-se um bom negócio, não só para quem queria adquirir a casa própria, mas também para quem procurava em que investir. Também cresceu a procura por novas hipotecas, a fim de usar o dinheiro do financiamento para quitar dívidas e consumir.
As companhias hipotecárias descobriram nessa época um nicho ainda a ser explorado no mercado: o de clientes do segmento "subprime", caracterizados, de modo geral, pela baixa renda, por vezes com histórico de inadimplência e com dificuldade de comprovar. O segmento "subprime", assim caracterizado, representa um risco maior de inadimplência que os de outras categorias de crédito. mas justamente por ser de maior risco, as taxas de retorno são bem mais altas.
A promessa de retornos altos atraiu gestores de fundos e bancos, que compraram esses títulos "subprime" das companhias hipotecárias e permitiram que uma nova quantia em dinheiro fosse emprestada, antes mesmo do primeiro empréstimo ser pago. Um outro gestor, interessado no alto retorno envolvido com esse tipo de papel, comprou o título adquirido pelo primeiro, e assim por diante, gerou uma cadeia de venda de títulos.
Porém, se a ponta (o tomador) não consegue pagar sua dívida inicial, ele dá início a um ciclo de não-recebimento por parte dos compradores dos títulos. O resultado: todo o mercado passa a ter medo de emprestar e comprar os "subprime", o que termina por gerar uma crise de liquidez (retração de crédito).
Após atingir um pico em 2006, os preços dos imóveis, no entanto, passaram a cair. Os juros do Fed, que vinham subindo desde 2004, encareceram o crédito e afastaram compradores; com isso, a oferta começou a superar a demanda e, desde então, o que se viu foi uma espiral descendente no valor dos imóveis.
Com os juros altos, a inadimplência aumentou e o temor de novos calotes fez o crédito sofrer uma desaceleração expressiva no país como um todo. Sem oferta suficiente de crédito, a economia dos EUA desaqueceu. Com menos liquidez (dinheiro disponível), menos se compra, menos as empresas lucram e menos pessoas são contratadas.
No mundo da globalização financeira, créditos gerados nos EUA podem ser convertidos em ativos que vão render juros para investidores na Europa e outras partes do mundo. Por isso o pessimismo influencia os mercados globais e atinge tão profundamente a Europa.
Primeiros efeitos
Esse era o cenário quando o o BNP Paribas Investment Partners --divisão do banco francês BNP Paribas-- congelou, em agosto do ano passado, cerca de 2 bilhões de euros dos fundos Parvest Dynamic ABS, o BNP Paribas ABS Euribor e o BNP Paribas ABS Eonia. A alegação do banco era de preocupações sobre os pagamentos de crédito "subprime" nos EUA.
Diante dessa medida, o mercado imobiliário reagiu com pânico. Gigantes do setor hipotecário, como a American Home Mortgage (AHM), uma das 10 maiores empresa do setor de crédito imobiliário e hipotecas dos EUA, pediu concordata. A Countrywide Financial, outra gigante do setor, teve de ser comprada pelo Bank of America.
Citigroup, UBS, Bear Stearns e outros grupos financeiros de escala global perderam bilhões com os papéis ligados a hipotecas "subprime".
Um ano depois
A crise, longe de perder fôlego, teve suas forças renovadas em setembro deste ano. As gigantes hipotecárias americanas Fannie Mae e Freddie Mac deram sinais de que poderiam quebrar. Com quase a metade dos US$ 12 trilhões em empréstimos para a habitação nos EUA em seus registros, o Departamento do Tesouro interveio para evitar o pior: anunciou uma ajuda de até US$ 200 bilhões.
O Lehman Brothers, no entanto, foi deixado à própria sorte: afetado pelas perdas com a crise dos "subprime", o banco viu malograrem tentativas de encontrar um comprador e de levantar fundos junto a outras instituições privadas para tocar suas operações financeiras. Mesmo o governo negou um empréstimo. No último dia 15, a solução encontrada pelo banco foi pedir concordata.
Ao fim do Lehman se seguiram a venda do Merrill Lynch ao Bank of America; a ajuda de US$ 85 bilhões à seguradora AIG, também sob risco de quebrar por falta de fontes de captação de empréstimos; a quebra do banco do segmento de empréstimos em poupança ("savings & loans") Washington Mutual (WaMu) --no que, segundo analistas, foi a maior falência de um banco nos Estados Unidos--; e a venda do Wachovia, quarto maior dos EUA, que anunciou a fusão com o Wells Fargo, em uma operação de US$ 15,1 bilhões em troca de ações.
Os problemas do Wachovia têm boa parte de sua origem na aquisição da companhia hipotecária Golden West Financial em 2006, por cerca de US$ 25 bilhões, quando o mercado imobiliário ainda estava em um momento de euforia. Com a compra, o Wachovia assumiu US$ 122 bilhões em hipotecas do tipo 'Pick-A-Payment', na qual a Golden West era especialista. Nessa modalidade, os mutuários tinham permissão para deixar de fazer alguns pagamentos.
Combate
Para combater a onde de quebradeira entre as instituições financeiras e acalmar o mercado, o Congresso dos EUA aprovou o plano de ajuda de US$ 700 bilhões. A aprovação coloca na mão do secretário do Tesouro, Henry Paulson, dinheiro para tentar reverter a crise que abala o mercado financeiro mundial.
O plano do governo americano é usar os US$ 700 bilhões para comprar um artigo conhecido por um nome pouco atraente: títulos "podres", ou papéis cujo resgate é muito improvável --conseqüentemente, cujo risco de calote é alto. A maioria destes ativos são ligados justamente às hipotecas "subprime" (de alto risco).
Antes de ser aprovada, a proposta de Bush foi bastante modificada pelos senadores e deputados. A versão incluiu no plano mais US$ 150 bilhões em corte de impostos, benefícios fiscais para a classe média, pequenos empresários e famílias atingidas por acidentes naturais.
Além disso, o pacote limita os poderes do Executivo para gerir o pacote, estreita a vigilância sobre a aplicação dos recursos e reduz os pagamentos milionários aos grandes executivos por trás das instituições financeiras que quebraram.
Antes do pacote bilionário, um outro pacote de estímulo foi aprovado em fevereiro e surtiu algum efeito, com o envio de cheques de restituições aos contribuintes. O dinheiro extra favoreceu os gastos dos consumidores entre abril e julho, o que se refletiu nos dados do PIB (Produto Interno Bruto). No segundo trimestre, a economia cresceu 2,8% (ligeiramente menor que os 3,3% em um cálculo prévio). Analistas dizem, no entanto, que, sem o benefício do dinheiro extra, nos próximos trimestres o desempenho econômico americano deverá ser inferior.

subsidios para a discussão sobre a crise.

oque é Geografia Econômica.

A Geografia Econômica é o estudo da localização, distribuição e organização espacial das atividades econômicas na Terra. A geografia econômica está focada na: - localização de indústrias e atividades comerciais no atacado e verejo; - em rotas comerciais e de transporte; e nas mudanças de valor do mercado imobiliário. Cursos em geografia econômica podem abrangir tópicos como transporte, agricultura, localização industrial, comércio internacional, e a organização espacial e funções das atividades de negócios. Áreas de Estudo A economia de uma área geográfica pode ser influenciada pelo clima, pela geologia, e pelos fatores político-sociais. A Geologia pode afetar a disponibilidade de recursos, o custo de transporte e as decisões sobre o uso da terra. O clima pode influenciar a disponibilidade de recursos naturais (particularmente os produtos agrícolas e florestais), e as condições de trabalho e produtividade. As instituições político-sociais que são únicas para uma região têm, também, impacto nas decisões econômicas. Os pesquisadores em geografia econômica focam seus estudos em aspectos espaciais das atividades econômicas em várias escalas. A distância da cidade (ou Distrito Central de Negócios) como um mercado com damanda para diversos produtos tem papel significativo nas decisões econômicas das empresas, enquanto outros fatores como acesso ao mar (portos marítimos), ou a presença de materia prima como petroleo afetam as condições econômicas dos países. Singapura, por exemplo, ocupa uma posição chave como um porto maritmo, enquanto a riqueza da Arábia Saudita depende em praticamente tudo do Petróleo. No mundo atual a localização, distribuição e caracter das atividades econômicas é muito influenciada pela globalização. Os estados e suas fronteiras representam papéis menos significativos, já que muitos países tendem a eliminar os efeitos das divisões territoriais e estreitar acordos de cooperação mutua com outros países em regiões adjacentes. Um exemplo importante e bastante conhecido mundialmente é a Uniao Européia. Além desta, existem também o MERCOSUL, na América Latina. Abordagem de Estudo * Geografia Econômica Teórica enfatiza a construção de teorias sobre arranjos espaciais e distribuição das atividades econômicas. * Geografia Econômica Histórica examina a história e o desenvolvimento espacial da estrutura econômica. * Geografia Econômica Regional examina as condições econômicas de determinadas regioes ou países, lidando também com o processo de regionalização econômico. Subdivisão A geografia econômica pode ser sub-dividida nas seguintes disciplinas: * Geografia Agrícola * Geografia Industrial * Geografia dos Serviços * Geografia dos Transportes * outros Porém, suas áreas de estudo podem se sobrepor, ou ser avaliadas individualmente. Ellsworth Huntington, professor do Departamento de Economia da Universidade de Yale no começo do século XX, notou que regiões frias como os EUA, as Ilhas Britâncias, Europa e Japão tinham uma performance econômica superior à de países tropicais, fenômeno ao qual chamou de "paradoxo tropical". Huntington associava as diferenças de performance às diferenças climáticas. Muitos economistas ficaram inconformados com esta idéia. De acordo com Huntington, a influência do clima na performance econômica também podia ser verificada nas estruturas políticas. Estados tropicais tendem a ter uma história política instável. Outros fatores que afetam a performance econômica deste modelo é o acesso ao oceano e a presença de materiais raros como o petróleo. Cingapura, por exemplo, ocupa uma posição chave como entreposto marítimo, enquanto a riqueza da Arábia Saudita depende inteiramente do Petróleo. François Perroux, em 1950, propõe uma reflexão sobre o espaço econômico. Estabelece uma estrutura onde o primeiro nível é composto pelas realidades físicas; o segundo trata da sociedade e da economia, fala das empresas e destaca a existência de redes; o terceiro é pscicológico: os homens se projetam mentalmente no futuro, as empresas elaboram projetos, a região não é somente uma realidade presente. Perroux é quem introduz a dimensão pscicológica. (CLAVAL,2002. in "Elementos de Epistemologia da Geografia Contemporãnea", Editora UFPR)