Super-produção e Super-exploração
A atual crise global se configura uma das maiores que o sistema capitalista já produziu, contudo para entender a atual crise econômica é necessário fazer uma análise do recente período da globalização onde encontramos subsídios para entender este processo de produção e lucro.
A globalização trouxe ao palco mundial o livre acesso de empresas transnacionais em todas as partes do globo, juntamente com a revolução tecnológica a partir dos anos 90, principalmente relacionada com o setor de telecomunicações.
Sendo assim o sistema capitalista se apóia na globalização e num processo dialético interage, se renova e se sustenta através da sua organização espacial, ou seja, a globalização traz a revolução técnica científica informacional, onde os espaços do globo serão objetos de mercadoria aliada à informação que cria a renovação deste movimento.
A informação faz o papel de transmitir a produção científica, que hoje se sustenta em tudo que produzido pelas grandes empresas transnacionais, portanto a revolução informacional se configura um estágio econômico, pois coloca a base do consumo fixo já idealizado como fluxo a servir os grandes mercados.
Os países em desenvolvimento, sob a ótica deste modelo recebem recursos, que pela atual flexibilidade do mercado mundial podem ser realocados em qualquer outro país que compõe o campo dos países em desenvolvimento.
Segundo dados da organização mundial do comércio as economias da Europa, América do Norte e Ásia concentram o mercado mundial de manufaturados, que são os que trazem maior retorno de investimento, pois os manufaturados passam pelo processo fabril, e justamente neste processo a mais valia da força trabalho é o gerador de lucros para as transnacionais.
Os países do Oriente médio , África , América latina concentra exportações em combustíveis , minérios e sobretudo a América Latina que tem grande comercialização na agroindústria, algo que tem menor retorno comparado com os manufaturados.
Contudo os países da escala em desenvolvimento foram os que tiveram suas economias abertas para o processo neoliberal , e com isso sentiram as privatizações e tiveram a alocada de mão de obra justamente nos setores de manufaturados.
Portanto o que se nota é a organização espacial na grande cidades voltada a novos mercados sobretudo o do consumo, que faz o papel fundamental de sustentação deste modelo ,com isso as economias em desenvolvimento exportam produtos que no mercado mundial não trazem tantos recursos e ainda mercantilizam seus espaços para as transnacionais.
A globalização segundo este modelo gerou uma renovação constante no consumo e concentrou ainda mais a exploração , o que Milton Santos chama de super-exploração e super-produção , com isso este acúmulo de riqueza gera uma repetida crise no sistema , sendo necessária a intervenção do Estado, que sob este modelo vai realocar as suas estruturas fixas para continuar o eixo deste período de globalização .
Bibliografia:
Santos , Milton - Pensando o Espaço do Homem
Santos, Milton – Natureza do Espaço
Lionel Fontanesi – Professor de Geografia da Rede Pública de SP
sábado, 13 de junho de 2009
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