quarta-feira, 1 de outubro de 2008

A crise americana e a Geografia

Este texto é tentativa de trazer uma visão geográfica sobre a crise americana .
mande suas considerações , textos e análises.
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Lionel Fontanesi
membro do Centro Acadêmico da FG

Estamos vivenciando um momento de crise na qual pode ser a maior de todos os tempos ,
entendemos que a Geografia deve estar na vanguarda desta analise tendo em vista que a sua preocupação gira em torno deste espaço humano e físico ,e seus agentes.
Neste atual estagio da sociedade , vivenciamos o período técnico-científico-informacional que toma conta da humanidade, manifestado principalmente pela chamada “revolução Digital”.
E por que a sociedade está em crise? E o que a Geografia tem a ver com ela?

“desigualdades fruto da ótica capitalista em que ele se estriba para organizar uma nova ordem econômica hedonista e materialista; ordem essa, cujos reflexos cabe à Geografia, não só analisar mas tentar das soluções uma vez que o ápice dessa crise se situa no urbano, que congrega a maior parcela da população mundial; daí a ascensão do conceito de cidade global, como catalisadora de todas as expectativas da sociedade mundial. Esta cidade global é o fulcro de um novo sistema que poderá vigorar num futuro próximo — o espaço em redes. Para o espaço em redes (também já previsto por Milton Santos, na década de 1980), essas cidades são a interligação do virtual com o geográfico, dando a Internet a sua territorialidade ”.(Elian Alabi Lucci -Diretor da Associação dos Geógrafos)

Esta ótica capitalista do mundo o coloca como palco de produção de riqueza para apenas uma classe , e tendo em vista a mundialização destes processos ,obtemos a ampliação também das crises geradas pelo sistema.
A afirmação de Milton Santos a respeito de Fluxos e fixos, nos faz cada vez mais presente ao ponto que obtemos uma rede de informação com mais facilidade ( a de se pontuar que acesso a informação não significa geração de conhecimento),mais não conseguimos destravar e aflorar a pluralidade dos agentes que constituem o Espaço , e fato este que só será possível quando esta mundialização colocar como ponto regulamentador de sua ações o aspecto local e sua interatividade com o global.
A crise econômica americana também conhecida como crise do crédito vem nos mostrar em que estágio se organiza atualmente o espaço de fluxos.
Este espaço de fluxo, segundo Milton Santos pode ser descrito pela combinação de três camadas de suportes materiais, que juntas constituem este espaço.
A primeira camada, é o primeiro suporte material do espaço de fluxos ,(microeletrônica, telecomunicações, processamento computacional, sistemas de transmissão e transporte em alta velocidade), podemos relacionar com a noção de revolução digital e todo movimento de comunicação que assistimos atualmente.
E isto juntamente com bases materiais acabam definindo regiões econômicas , com isso os lugares são tomados por um movimento de banalização onde são absorvidos pela lógica desta camada, lógica esta que deu e continua fornecendo subsídio para o modelo global econômico , podemos relacionar com a semelhança visual nos modelos verticais ou até mesmo no modelo de locais de consumo.
A segunda camada estabelece a relação das redes de comunicação , definida em lugares específicos ,ou seja os mecanismos de comunicação fixam em lugares difrentes com condicionantes sociais e culturais diferentes, mais tem inserido em sua lógica de materialização fisica um padrão único , que hoje podemos definir como cidades globais.
E terceira camada é a organização material das práticas sociais, que está ligada as estruturas sociais dominantes, práticas sociais estas que podem ser vista no modelo de econômico que temos hoje , um padrão ocidental de consumo, uma planificação global do ponto de vista de localização de riqueza , e uma destribuição no mercado global , ou seja a produção que alcança todos os lugares, mesmo que seja pelo meio técnico - informacional.
Com isso temos uma crise de um capital abstrato (crédito) que pode ser relacionado com a terceira camada deste espaço de fluxos, que tem a função de articular o espaço direcionado por uma elite gerencial dominante.
Este capital abstrato assume o papel de articular o espaço , o alterando os fixos , que nas correntes do pensamento econômico é chamado de vetor de cresimento , e adotado atualmente no pelo governo lula , exemplo disso é o programa aceleração do crescimento , onde previlegia o crédito para vetores , e isso pode ser observado especificamente no atual mercado imobiliário, ou até mesmo numa outra escala , é só pegarmos os indíces da construção civíl atual , e a relação que existe com o crédito de compra destes imóveis.
Em síntese esta crise nos mostra o papel fundamental da analise Geográfica e sua capacidade de articular fixos e fluxos , e como a ideologia do progresso se mistura a esse atual modelo de crescimento , onde os fluxos abstratos são movimentados para o consumo e alteração dos fixos , criando vetores que geram crescimento e não desenvolvimento, e ainda mais anulando o aspecto antropológico das localidades , ou seja a imposição de um padrão global em localidades que não carregam o mesmo traço.
O atual modelo imobiliário verticaliza o espaço , e mais específicamente os edifícios fixados estabele nos lugares uma lógica em torno deste edifícios , desde a circulação de mão de obra, comércio e até mesmo o impacto de veículos em torno do modelo vertical .
Isto anula este agente social ao ponto que o combate a hegemonia deste fluxos deve estar ligado as resistências locais , pois o Espaço dos fluxos criou nas cidades globais o modelo cosmopolitas ,mais as elites são cosmopolitas , enquanto as pessoas são locais.
Contudo a Geografia vem ajudar a teoriza e decifrar essa multiplicidade do espaço ao ponto que descreve empiricamente todas ações sociais em interação com o espaço.
Neste sentido as comunidades locais são a base para a resistência contra um processo de mundialização que cada vez mais nos mostra falhos e perverso , crise após crise .

Bibliografia

SANTOS, Milton. Técnica, espaço, tempo: globalização e meio técnico-científico-informacional. São Paulo, Hucitec, 1994.

LUCCI, Elian A. et al (org). Milton Santos: cidadania e globalização. São Paulo, Saraiva/AGB-Bauru/UNESP-Bauru/SINPRO, 2000.

http://www.hottopos.com/mirand13/elian.htm

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Dois milhões de jovens vão à escola sem saber ler e escrever, mostra IBGE

24/09/2008 - 10h01
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio

Mesmo dentro de sala de aula, os brasileiros ainda não conseguiram transpor uma barreira que mantém o Brasil distante de países desenvolvidos: o analfabetismo. Há 2,1 milhões de crianças entre 7 e 14 anos no país que, embora freqüentem a escola, continuam analfabetas. É o que mostra a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgada nesta quarta-feira.

O estudo revela que 87,2% das crianças e adolescentes entre 7 e 14 anos que não sabem ler e escrever --2,1 milhões- freqüentavam a escola regularmente em 2007. E uma minoria deles estava com os estudos atrasados: apenas um quarto dos estudantes do ensino fundamental tinha mais de dois anos acima da idade recomendada para a série que estudava.

A taxa de analfabetismo entre os que estudam contrasta com a freqüência escolar dos jovens entre 7 e 14 anos, que alcançou 97,6% em 2007. Um nível considerado "praticamente universalizado" pelo IBGE.

"O acesso à rede de ensino está se universalizando [...]. No entanto, ainda persistem problemas associados à eficácia escola", diz texto da Síntese de Indicadores Sociais, feita com base em cruzamentos de dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2007, divulgada semana passada pelo IBGE.

Para os pesquisadores, a contradição revela falhas na qualidade de ensino e pode ter como causa o sistema de aprovação automática em escolas.

Na média brasileira, a taxa de analfabetismo foi de 10,5% da população, ou 14,1 milhões de pessoas, como havia revelado a Pnad. O índice é menor que o de uma década atrás --em 1997, havia 15,9 milhões de analfabetos, segundo o IBGE. Mas ainda não alcançou patamares como os da China (7,1%) e Rússia (0,6%), que dividem com o Brasil lugar nos Brics (grupo de países emergentes formado também pela Índia), segundo a pesquisa.

A taxa brasileira, como mostrou a Pnad semana passada, também é uma das piores da América Latina e está atrás de países como Bolívia, Suriname e Peru.

Cageo - Walerie - 2º ano/Geografia