30/01/2009 - 06h12
Editora do UOL Educação
Em Belém (PA)
Especialistas em educação têm afirmado que o ensino médio, antigo colegial, está em crise. O problema é a queda na taxa de matrícula quando o esperado era seu aumento, segundo José Marcelino de Rezende Pinto, professor da USP (Universidade de São Paulo), em Ribeirão Preto, SP.
Para ele, a solução começa com aumento do financiamento dessa etapa do ensino. "Precisamos de uma mensalidade maior - hoje se gasta em torno de R$ 1.000 por ano com um aluno do ensino médio", diz Marcelino, que é pesquisador no campo das políticas públicas. "A lógica do custo por aluno hoje é dividir a verba pelo número de estudantes. Precisamos fazer o inverso - ter um custo mínimo e com qualidade e, então, definir quanto é preciso."
Segundo um estudo conduzido por Marcelino, em parceria com Denise Carreira, o Brasil gasta 57% do custo "mínimo" de qualidade, que inclui desde material limpeza até salários de professores e funcionários.
"Gasta-se menos com o ensino médio que com o fundamental, porque as salas têm mais alunos e a infra-estrutura é a mesma do fundamental", explica. Para ele, o fato de ter vagas em número suficiente não significa que os jovens estejam sendo atendidos, pois elas podem não estar nem perto, nem no turno de interesse do aluno.
Pais, professores e alunos
"Já se sabe que a família tem impacto grande [na vida escolar dos estudantes]. Quando a família não tem condições, o Estado tem de agir", diz Marcelino para explicar que a injeção de verbas na educação pública deveria ser tão maior quanto mais precárias as condições da família em criar um ambiente de aprendizagem.
"Pais e alunos precisam fazer aliança com os professores, pois a mudança tem de vir de baixo, porque a elite não se preocupa com a escola pública", defende Marcelino.
Para ele, o professor tem papel estratégico na mudança para melhorar a qualidade de ensino. Mas, enquanto o jogo de empurra continuar, a realidade não vai mudar. Ele se refere à tradicional culpabilização pelo mau desempenho dos alunos. Pais culpam os professores e estes rebatem as críticas acusando as famílias de serem desestruturadas.
Crise de identidade
Como sempre foi uma etapa de ensino que somente a elite alcançava, o ensino médio sempre foi um "grande cursinho preparatório" para o vestibular, diz Marcelino. "Lá fora, por exemplo, existe a high school norte-americana que tem terminalidade. Quando o aluno sai da escola, ele está preparado para o mercado da vida e faz faculdade se quiser", compara o pesquisador.
"O conteúdo [ensinado na escola] diz muito pouco para o jovem", diz Marcelino. "A LDB (Lei de Diretrizes e Bases) é muito boa, ela fixa uma meta generosa e não garante meios de cumpri-la."
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário