terça-feira, 14 de outubro de 2008

mais informações

Os efeitos da crise econômica pode abranger até os anos de 2.010, conforme vejamos abaixo, alguns trechos do atual Presidente do BC:

Instado a traçar o melhor e o pior cenário para a economia mundial pós-crise global, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse o seguinte:

“O melhor cenário seria uma contenção rápida da crise financeira, com recuperação gradual da disponibilidade de crédito e da atividade econômica ao longo de 2009 e 2010...”

“...O pior cenário seria a agudização da crise, o aumento do protecionismo, o nacionalismo exacerbado e as tensões políticas vigentes na década de 30 do século passado.”

Ou seja, para Meirelles, ainda que seja contida rapidamente, a encrenca financeira vai impor sacrifícios que se estenderão até 2010, ano de sucessão presidencial no Brasil.

Meirelles falou aos repórteres Marcio Aith e Giuliano Guandalini. A entrevista foi às páginas de Veja (só assinantes). Vão abaixo os principais trechos:

As armas do BC: O Banco Central dispõe de mais de 200 bilhões de dólares em reservas internacionais, depósitos compulsórios volumosos, uma posição substancial no mercado de dólares futuro, além de poderes para efetuar posições de redesconto sem limitações. Portanto, temos munição mais do que suficiente para enfrentar as questões de liquidez do mercado.

Os riscos de contágio: A crise externa é severa, e ninguém estará imune a ela. Além dos fatores mencionados anteriormente, temos uma dívida pública cadente como porcentual do PIB e o BC comprometido com o controle da inflação. É preciso também enfatizar que o governo brasileiro é credor líquido em moeda estrangeira, e, em momentos de crise internacional com depreciação do real, a dívida pública cai. Esse é outro fator estabilizador importante.

As razões da subida do dólar: A falta de dólares nos mercados interbancários internacionais provocou um desequilíbrio momentâneo entre oferta e demanda de dólares. Exportadores que haviam apostado na desvalorização da moeda americana tiveram que comprar dólares para fechar a posição perdedora no mercado futuro, reforçando esse desequilíbrio. A queda do preço das commodities também parece ter contribuído para esse movimento. Finalmente, o aumento da aversão ao risco internacional fez com que investimentos retornassem aos países de origem. Por outro lado, os fundamentos sólidos da economia brasileira tenderão a prevalecer.

A demora da reação do BC: O BC sempre é criticado por atuar demais ou de menos. Nossa política de ampliação das reservas, por exemplo, foi muito criticada por analistas que não previam a possibilidade de crise. Neste episódio, o BC usou diversos instrumentos à sua disposição conforme foi necessário. Isso não significa que o BC tenha metas para a taxa de câmbio. Tentativas no passado de controlar a taxa de câmbio foram malsucedidas. Nossa atuação visa apenas a reagir a mercados disfuncionais, isto é, sem liquidez.

As diferenças entre o modelo cambial do pós-real e o atual: [...] Naquela época o Brasil tinha um regime de câmbio controlado e o BC vendia qualquer quantidade de dólares a uma taxa predeterminada. Hoje o país tem câmbio flutuante e fundamentos mais sólidos. O aumento da taxa de câmbio é um fator estabilizador nos fluxos cambiais na medida em que estimula exportações de bens e serviços e desestimula importações dos mesmos [...].

O caso das empresas endivididas em dólar: Não houve ajuda a nenhuma empresa ou setor [com a intrvenção do BC no mercado de câmbio]. O BC atua visando a regularizar a liquidez nos mercados de câmbio, cujo desequilíbrio persistente poderia provocar uma crise de graves conseqüências para o país, como tivemos no passado. As intervenções beneficiam a economia brasileira como um todo, os cidadãos e as empresas em funcionamento no país. Além disso, o Tesouro tem tido ganhos cambiais expressivos, e até o momento não houve dispêndio de um centavo público.

A diferença entre os bancos brasileiros e os estrangeiros: O sistema bancário americano sofreu perdas substanciais no sistema hipotecário, e essa é a causa dos problemas. Os bancos europeus também vêm sofrendo perdas importantes no mercado imobiliário americano. Os bancos brasileiros não têm empréstimos nesse setor. As questões de liquidez no Brasil são reflexo da liquidez externa, e providências estão sendo tomadas. Não há problemas de solvência bancária no país. Note-se que a MP 442 visa a lidar com problemas de liquidez, não de solvência.

As ações do BC para proteger os bancos: O BC já reduziu depósitos compulsórios, efetuou vendas de dólares nos mercados à vista e futuro e está provendo linhas de liquidez em dólares. E está preparado para tomar outras medidas, caso necessário.

A MP 442 e velho Proer: Não [são iguais]. O Proer visou a proteger os depositantes e o país de perdas existentes no sistema financeiro, tal como está sendo feito em outros países. A MP 442 é totalmente transparente, e seu objetivo é apenas enfrentar problemas de liquidez, e não de solvência, de instituições que tenham carteiras de boa qualidade para oferecer ao BC.

O melhor e o pior cenário para a economia mundial: O melhor cenário seria uma contenção rápida da crise financeira, com recuperação gradual da disponibilidade de crédito e da atividade econômica ao longo de 2009 e 2010. O pior cenário seria a agudização da crise, o aumento do protecionismo, o nacionalismo exacerbado e as tensões políticas vigentes na década de 30 do século passado.

O principal canal de contágio no Brasil: A contração do crédito, que teria efeito contracionista sobre a atividade econômica, e a pressão cambial, que poderia ter efeito inflacionário. Nossas ações visam exatamente a mitigar esses impactos sobre a economia.


fonte : lista de Geografia- Brasil - Yahoo

Nenhum comentário: